A ideia de um acordo que possibilite a integração regional entre a União Européia e o Mercosul, já existe há mais de dez anos. É bem verdade que desde 2004, as conversas tem se mostrado muito mornas, visto que os europeus não aceitam desmantelar seu sistema de proteção do setor agrícola nem os sul-americanos se dispõem a permitir que a Europa os inunde com seus produtos industriais.
Mas a verdade é que, principalmente em tempos de incertezas sobre a economia, para ambos os blocos a aproximação também lhes servirá para reduzir o crescente poder da China, tanto como parceiro comercial da América do Sul, como de rival econômico da Europa.
E a União Européia tem motivos de sobra para se preocupar, pois os prognósticos apontam que até o ano 2020, o gigante asiático se converterá no segundo investidor na América do Sul, atrás somente dos Estados Unidos.
Na semana passada, a presidente brasileira Dilma Roussef reiterou,durante sua viagem a Europa, que já chegou o momento de uma associação comercial e econômica entre o continente europeu e a América do Sul.
A ideia de uma associação inter-regional entre a EU e o Mercosul será a primeira do gênero entre duas uniões aduaneiras de diferentes níveis de desenvolvimento e distantes geograficamente, mas com o objetivo comum de incrementar a multipolaridade econômica no mundo através do fortalecimento dos blocos de integração regional já existentes.
Neste sentido, tanto a UE como o Mercosul mantêm uma estratégia de inserção internacional baseada em cenários de múltiplas negociações comerciais internacionais. Para a UE, o Mercosul é a peça que falta no quebra-cabeça – já existem acordos de livre comércio com o México e o Chile e são previstos pactos similares com a América Central, Peru e Colômbia– sendo o melhor interlocutor europeu na América Latina.
Já para o Mercosul, que é o segundo maior exportador mundial de milho e que conta com mais de 20% de todo o rebanho bovino do planeta, além de 35% da produção de soja de todo o mundo um acordo com a UE serviria para manter e fortalecer a estrutura de suas exportações. Como conseqüência, este pacto abre a porta, em primeira instância, para produtos alimentícios da América do Sul, de grande valor agregado.
Por outro lado, não é nenhum segredo que o Mercosul tem problemas estruturais que muitas vezes impedem o seu funcionamento. Seus membros (Brasil,Argentina,Uruguai e Paraguai)se olham com um receio histórico que dois séculos de independência não conseguiram resolver e dessa forma vivem imersos num jogo de cruz e espada,onde ninguém ganha e todos perdem.
No âmbito comercial, as negociações para o estabelecimento de uma área de livre comércio entre a UE e o Mercosul, estão avançando e se espera que a ampliação das relações do “novo bloco” com o mundo contribuirá para diminuir os próprios desequilíbrios que os Estados enfrentam internamente.
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