Se o leitor pensa que o título se refere ao filme do diretor Danny Boyle, ganhador de 8 Oscars, enganou-se. Tenho escrito diversos textos sobre as relações internacionais e na maioria das vezes aquilo que escrevo tem alguma relação com os lugares que visito. Desta vez, escrevo sobre o arquipélago de São Tomé e Príncipe, na África. Mas o que isso tem a ver com o título deste artigo? Bem, parece simples! Em São Tomé qualquer pessoa pode ter um milhão. Eu mesmo tive alguns milhões enquanto lá estive.
Mas o leitor precisa saber que um milhão de dobras (é o nome da moeda santomense) não vale muita coisa. Com esta quantia de dinheiro pode-se comprar uma caixa de Coca-Cola. O que sabemos sobre São Tome? Eis algumas informações:
Mais de três décadas após a sua independência, S. Tomé e Príncipe continua a ser um paraíso perdido, um dos países mais pobres do mundo, muito embora possua recursos satisfatórios para se transformar nas ilhas mais admiráveis do Atlântico.
O país atravessa um período conturbado, onde predomina como bem poderia mencionar Antonio Gramsci, a baixa política e a interminável crise financeira, devido à má gestão.
Paradoxalmente, no arquipélago de São Tome e Príncipe, tão rico em belezas e recursos naturais – o pais é maior produtor mundial de cacau e recentemente veio a púbico a notícia sobre a existência de grandes bacias petrolíferas na costa santomense – os indicadores sociais e econômicos são apavorantes para uma nação de 160 mil habitantes.
A dívida externa, é calculada em 320 milhões de dólares, a taxa de desemprego ultrapassa os 30% e a evasão na escola primária alcança os 60%.
A informalidade continua sendo a única forma de emprego e renda para a maioria dos são-tomenses. Na Feira de Ponto, situada na capital, para sobreviver, os vendedores comercializam de tudo, em precárias condições. Desde câmbio de moedas até remédios, tudo se vende.
Mas é essencialmente a corrupção o maior mal que ronda o país. Os casos de corrupção predominam, cada um busca o seu bem-estar a qualquer custo, sem se preocupar com os efeitos nefastos de tal postura no crescimento e desenvolvimento econômico. Além disso, o país vive sempre da ajuda internacional e dessa forma acaba por perder a sua soberania frente a instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.
Mas o que pode ser feito para ajuda este país a sair dessa situação? A Comunidade Internacional não pode ficar inerte à grave situação por que passam países como São Tomé.
Surge uma luz. Em julho passado, o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Angola afirmou que, "o Brasil tem obrigação política e moral de ajudar no desenvolvimento da África e em particular, os países de língua portuguesa do continente".
Como disse Nelson Mandela, "uma democracia com fome, sem educação e sem saúde para a maioria, é uma concha vazia".
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