A globalização, que, dentre outras características, reduz cada vez mais as fronteiras transnacionais, possibilita a entrada em território nacional de “produtos” indesejáveis, principalmente drogas e armas. Ainda que pareça contraditório, face às conseqüências nefastas para a população, a segurança nas fronteiras ainda não é um ponto que se destaca na agenda dos governos.
Com relação à entrada de armas na América Latina, é importante mencionar que, atualmente, as armas legais provêm na sua maioria de grandes fornecedores dos Estados Unidos e da Europa. Mas os números do comércio internacional de armas leves não têm total transparência, e uma parcela significativa é ilegal. Assim, é difícil saber os tipos e principalmente, estimar as quantidades de armas “importadas” pelos países latinos americanos.
A título de ilustração, podemos citar o governo dos Estados Unidos que não está fazendo o necessário para reduzir ao máximo o tráfico que existe em sua faixa fronteiriça com o México. Por sua vez, do lado mexicano, não se vê nenhuma possibilidade de controlar a fronteira, atualmente carcomida pela corrupção, a cumplicidade e também pelo medo.
No Brasil, os problemas se potencializam, pois não é tarefa fácil monitorar a fronteira de dez países. No inicio deste ano, a Polícia Federal divulgou um relatório com informações sobre as cidades mais utilizadas para a entrada de armas ilegais no território brasileiro. De acordo com as investigações dos agentes federais, os traficantes de armas que abastecem grupos criminosos nos diferentes estados do país, utilizam pelo menos 17 cidades nas fronteiras com o Paraguai, Bolívia, Argentina, Uruguai e Colômbia.
O Brasil, que possui 580 municípios ao longo de sua fronteira, deve, urgentemente, cuidar de sua segurança terrestre, do mar territorial, do espaço aéreo e de outras áreas indispensáveis à defesa do território nacional.
Os problemas nas fronteiras são basicamente contrabando, tráfico de drogas, armas e munição, roubo de carga de veículos, refugio de criminosos e crimes ambientais. Em menor escala, podemos acrescentar o roubo de gado, tráfico de pessoas, exploração sexual infantil e evasão de divisas.
Especialistas afirmam que, para o monitoramento das fronteiras brasileiras, são necessários radares sofisticados de curto e de longo alcance, equipamentos de visão noturna e torres de observação. Além disso, o patrulhamento exige, segundo alguns militares, um sistema de treinamento contínuo, veículos blindados e embarcações especiais.
Agora, com a chegada de Celso Amorim ao Ministério da Defesa, é possível que uma nova postura seja implantada para lidar com problemas tão elementares como a soberania nacional e o controle do que sai e principalmente do que entra no País. Amorim,diplomata talentoso e pragmático, sabe que o maior desafio para os Estados Nacionais no século 21 reside na capacidade de resolver os problemas domésticos sem esquecer que o que acontece fora de suas fronteiras pode afetar seus cidadãos.
Veja o jornal de hoje e os cadernos
Newsletter
Copyright © 1995-2012