Mobile RSS

rss
Assine Já
Imagem & Movimento 08/03/2013

Marina nos faz chorar

Ao mostrar o trecho de uma performance de Marina Abramovic no Museu de Arte Moderna de Nova York, um vídeo que circula nas redes sociais chama a atenção para o trabalho da artista
FOTO: MARCO ANELLI / THE MUSEUM OF MODERN ART / DIVULGAÇÃO
Marina (foto) e os visitantes da performance: a média de tempo que eles levaram para chorar variou de 2 a 391 minutos
Compartilhar


No Facebook, circula um post com o vídeo Um Minuto de Silêncio, que já ultrapassa 5 mil comentários, 23 mil curtis e 49 mil comparti- lhamentos. Trata-se do registro do inusitado reencontro entre a artista sérvia Marina Abramovic e seu ex-parceiro Ulay, dentro do Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma), em 2010. Naquele lugar, Marina realizava uma performance: durante três meses, no horário em que o museu ficava aberto, ela permanecia sentada em uma cadeira em silêncio, enquanto os visitantes podiam se sentar à frente dela durante o tempo em que quisessem. Cada um podia ter seu momento individual com Marina.


Foi o que aconteceu também com Ulay, que ali se sentou para surpresa da artista. Emocionada, ela chorou e estendeu os braços para um aperto de mãos, diante do público do Moma que aplaudia efusivamente. Separados há mais de 20 anos, Marina e Ulay realizaram várias performances, entre 1976 e 1988, período em que ficaram juntos. Quando o relacionamento acabou, veio a última performance: eles percorreram a Muralha da China – Marina ao leste e Ulay a oeste – até se encontrarem no meio para o adeus.


O vídeo do reencontro de Ulay com Marina é um dos trechos do documentário Marina Abramovic: The Artist is Present, de Mathew Akers, produzido pela HBO e lançado no Brasil no ano passado pelo Festival do Rio. Na contramão da maioria dos documentários biográficos, o filme não faz um percurso cronológico da vida de Marina. O longa apresenta Abramovic como uma artista de 63 anos de renome internacional. “Depois de 40 anos – enquanto achavam que você era louca e deveria estar num hospício –, você finalmente recebe tanto reconhecimento. Leva-se tanto tempo para nos levarem a sério”, pontua Marina sobre sua fama no campo da arte contemporânea.


No filme, o curador Klaus Biesenbach situa a artista como a “avó” da performance. “Ela usa o corpo humano para expressar opiniões que podem ser violentas ou provocantes”, explica. As performances são citadas en passant. Sobre sua formação, Marina afirma ser fruto de pais comunistas, que lhe impunham rígida disciplina, enquanto recebia cuidados e amor pela avó religiosa.


Após esta breve introdução, o documentário dedica-se a acompanhar os bastidores da montagem da retrospectiva no Moma e revela a personalidade de Marina no presente, por meio do registro de situações do cotidiano da artista. O filme mostra parte do workshop que Abramovic fez em sua casa para um grupo de 30 jovens convidados para reinterpretar cinco de suas peças históricas no Moma. Em jejum por três dias, eles cumpriram uma série de exercícios de preparação corporal e mental. “O propósito é nos esvaziarmos. Sermos capazes de estar no tempo presente”, diz a artista.


Este tipo de controle também foi necessário à Marina para lidar com o desgaste de sua própria performance, que totalizou 736 horas e 850 mil espectadores. Personalidades como Lou Reed, Björk, Sharon Stone e Isabella Rossellini viram a performance, mas apenas um famoso aparece no filme: o ator James Franco, amigo mais próximo. Mais interessante é perceber a emoção no olhar das pessoas anônimas. “Quando elas se sentam diante de mim, eu não importo mais. Logo eu me torno o espelho delas mesmas”, explica Marina.

 

Multimídia

 

Assista ao vídeo Um Minuto de Silêncio no Facebook:

migre.me/dyhfz

 

Assista ao trailer do documentário Marina Abramovic:

The Artist is Present: migre.me/dyhkJ


Veja o tumblr com as fotos dos visitantes da performance no Moma:

marinaabramovicmademecry.tumblr.com

Performances de Marina Abramovic


1) Rhythm 0 (1974) - Nesta performance, Marina ficou em pé durante seis horas, enquanto o público tinha 72 objetos disponíveis em uma mesa – de flores a um revólver carregado – que poderiam ser usados livremente nela – seja de forma amável ou destrutiva. Sem demonstrar oposição às vontades do público, Marina ficou exposta à violência: rasgaram sua roupa, enfiaram espinhos em sua pele e chegaram a apontar o revólver em sua cabeça. Link: migre.me/dyhCS 2) Freeing the voice (1975) - Durante 45 minutos, Marina Abramovic permanece deitada, gritando até se cansar e perder a voz. Link: migre.me/dyhuF 3) Art Must Be Beautiful (1975) - Enquanto repete a sentença “arte deve ser bela, o artista deve ser belo”, Marina penteia com força várias vezes seus longos cabelos, com um pente em uma mão e a escova na outra. Link: migre.me/dyhBO 4) AAA-AAA (1978) - A partir do mesmo procedimento de Freeing the voice, Marina senta-se em frente a Ulay, enquanto ambos gritam um para o outro até se desgastarem e perderem a voz. Link: migre.me/dyhAj

 

Compartilhar
espaço do leitor
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro a comentar esta notícia.
0
Comentários
300
As informações são de responsabilidade do autor:

Imagem & Movimento

RSS

Imagem & Movimento

camila vieira

Escreva para o colunista

Atualização: Quarta-Feiras

Imagem & Movimento

RSS

Imagem & Movimento

Elisa Parente

Atualização: Quarta-Feiras

Imagem & Movimento

RSS

Imagem & Movimento

Danilo Castro

Atualização: Quarta-Feiras

TV O POVO

Confira a programação play

anterior

próxima

Divirta-se

Newsletter

Receba as notícias da Coluna Imagem & Movimento

Powered by Feedburner/Google

Mais comentadas

anterior

próxima

Mobile RSS

rss Assine Já