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Imagem & Movimento 04/05/2012

Tem Coca-Cola no vatapá

Com o lançamento estrondoso de Os Vingadores, cerca de 50% das salas de cinema do Brasil são ocupadas por um só filme. Entenda o porquê
DIVULGAÇÃO
Em cartaz em mais de mil salas de exibição no Brasil, o filme faturou R$ 21,7 milhões no fim de semana de estreia
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Lançado pela Disney como o blockbuster que dá início à temporada 2012 de filmes de verão hollywoodianos, o longa-metragem Os Vingadores entrou em cartaz na sexta-feira passada (27) em mais de mil salas de cinema no Brasil. O circuito comercial brasileiro de exibição dispõe de aproximadamente 2.200 salas de cinema. Ou seja, apenas um filme – Os Vingadores – ocupou 50% do parque exibidor nacional e faturou R$ 21,7 milhões no fim de semana de estreia. A constatação dos dados acima pode ser o ponto de partida para uma reflexão sobre a ocupação das salas comerciais de cinema no Brasil.


Desequilíbrio e poucas opções

Não é a primeira vez que tal fenômeno acontece. Em 2011, o terceiro filme da saga Crepúsculo (Amanhecer - Parte 1) ocupou 1100 salas; a animação Rio, 1024 salas; e Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, 915 salas, todos em suas respectivas estreias. Em 2010, Eclipse – da mesma franquia Crepúsculo - estreou em 867 salas. Não é uma questão de valorar (de dizer se os filmes citados são bons ou ruins), mas de apontar quais títulos costumam ter uma ocupação massiva no circuito exibidor e que revelam o desequilíbrio evidente da distribuição de cinema no Brasil.

 

Na mesma semana de estreia de Os Vingadores, o filme Sete dias com Marilyn foi lançado em apenas 50 salas. Produções brasileiras ficaram restritas a algumas capitais, como é o caso de O homem que não dormia, que estreou em Salvador e São Paulo, em seis salas, e Girimunho, em apenas duas, em Belo Horizonte e São Paulo. Em Fortaleza, a situação foi mais grave: Os Vingadores foi a única estreia da semana passada, com lançamento em 17 das 36 salas em funcionamento.


Sufocando os pequenos

É preciso reconhecer que lançamentos predatórios inviabilizam a diversidade de opções nos cinemas da cidade. Com o abuso desta prática, como é possível ao público exercer seu direito de escolha? Os outros filmes a disposição já estavam em cartaz desde as semanas anteriores. Boa parte deles inclusive permanece em poucos horários. A novidade é apenas um filme, lançado em larga escala por uma major (Disney) com o argumento de que existe demanda.

 

Pode até ser que Os Vingadores alcance o novo recorde de bilheteria. As filas numerosas nas principais salas da capital e os ingressos esgotados no fim de semana são alguns índices da procura ao filme. Contudo, um número expressivo de pagantes destes ingressos certamente se viu carente de outras opções. Sem falar que práticas impositivas de distribuição também prejudicam exibidores de salas de pequeno porte, que costumam fidelizar um tipo específico de público.


Crise

De acordo com relatório publicado em março pela Motion Picture Association of America (MPAA), o lucro das bilheterias caiu 4% nos Estados Unidos em 2011 – número equivalente ao pior consumo de ingressos de cinema em 16 anos. Com medo de arriscar, os grandes estúdios de Hollywood investem pesado em franquias, refilmagens e filmes em 3D. Tais títulos mantém a frequência das salas por uma fatia pequena de espectadores na faixa dos 12 a 24 anos, que representam apenas 10% do total da população norte-americana.

 

Se nos Estados Unidos o mercado de exibição em salas comerciais está em franca decadência, restam às majors investir pesado na distribuição de seus filmes em outros países. Da mesma maneira que todo bom colonizador, a ideia é buscar lucro fácil em terras longínquas e mais férteis. Não é à toa que a Disney lançou Os Vingadores em 39 territórios internacionais, antes mesmo da estreia nos Estados Unidos. Como não há medidas regulatórias mais restritivas em relação à ocupação de grandes lançamentos no Brasil, entramos no mesmo gargalo. E permanecemos como colonizados dóceis em cenário sem opções.

 

Saiba mais

 

Tem Coca-Cola no Vatapá é o título de um doc-ficção de 1975 sobre a história da ocupação do mercado cinematográfico brasileiro pelo produto estrangeiro. Com direção de Pedro Farkas e Rogério Corrêa, o filme tem diálogos e textos do crítico Paulo Emilio Salles Gomes.

 

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espaço do leitor
fred 07/05/2012 15:07
um filme não é um fenômeno isolado, mas uma rede enorme, que nos inclui, espectadores, comentadores, fazedores. o que queremos mover? ou ta bom como está? os vingadores precisam da nossa defesa? tanto quanto a coca-cola. gosto dos dois, mas eles não precisam de mim. e gosto de outras coisas, muitas.
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fred 07/05/2012 15:01
o que eu entendo que a colunista quis debater foi a constituição de sensibilidades distintas. e como nossos gostos acabam pautados por relações de mercado. o cinema é um local privilegiado de pensamento, de entendimento do mundo, já que lida com o tempo, com visões da humanidade sobre si.
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Philipe Ribeiro 06/05/2012 17:36
Eu não gostaria de ter usurpado o direito de poder beber refrigerante de cola ou cajuína, mesmo preferindo a bebida da terrinha... O Nó é esse: a gente não quer só hollywood, a gente quer também filmes franceses, iranianos, nigerianos, indianos e, claro, brasileiros... de, preferência, cearenses!
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Philipe Ribeiro 06/05/2012 17:34
Quando 90% das salas são de filmes gringos (sendo 50% de um único filme) o direito de comparar vai pro beleléu. É como se do dia pra noite você fosse obrigado a deixar de tomar cajuína e só te fosse ofertado refrigerante de cola. Tem gente que iria adorar refrigerante de cola; já eu prefiro cajuína.
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Philipe Ribeiro 06/05/2012 17:33
Nem todo filme cearense ou brasileiro presta. Nem todo filme de hollywood (u$a), bollywood (índia) e nollywood (nigéria) presta. Nem todo filme francês ou iraniano presta. O que vai definir se é bom ou ruim é poder comparar.
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