Assim como nas nuvens, a cada olhada no cenário eleitoral de Fortaleza nota-se um formato diferente. Mais: cada analista visualiza a nuvem com um desenho que só ele vê.
Trocando em miúdos, a ópera (será bufa?) ainda não foi escrita. Portanto, todos os exercícios para antecipar cenários e desfechos são precipitados. Por muitas vezes, acabam desmoralizados.
São tantas as variáveis que a dinâmica da política ganha energia extra. Vejam o caso do preferido de Luizianne Lins. Elmano Freitas era até muito recentemente um nome desconhecido até mesmo dos jornalistas especializados em política. Hoje, uma parte estridente dos sinos petistas dobram por ele.
Luizianne Lins tem cacife para bancar a candidatura de seu contemporâneo de movimento estudantil? Essa escolha tem cacife para manter a grande aliança que, na última eleição municipal, juntou o governador e a prefeita?
Dentro do PT, Luizianne tem sim cacife para bancar o nome de Elmano da mesma forma que tinha para bancar o nome de Waldemir Catanho. Sozinha, a força política da prefeita tem a maioria no âmbito do partido em Fortaleza.
E quanto à segunda questão? Bom, a resposta virá somente quando os ainda aliados do PT entrarem no jogo. E isso ainda leva algum tempo. As negociações só esquentam a partir de maio.
Atentem para um fato: a sucessão de Fortaleza é campeonato para dois longos turnos. Trata-se de corrida de 5 mil ou 10 mil metros fundos e não 100 metros rasos, que duram menos de 10 segundos. Portanto, as estratégias são pensadas levando em conta tal circunstância.
O bom candidato é o que tem fôlego político. Mas, a conjuntura costuma oferecer surpresas. Não necessariamente detectáveis. A Luizianne de 2004 foi uma grande surpresa para a maioria. Poucos anteviram o que estava por vir.
Aquela disputa com nomes fortes dizia que o segundo turno era certo e que quem atingisse os 20 pontos percentuais teria chances de ir à segunda etapa. No decorrer da campanha, somente Luizianne, que havia começado com 3%, mantinha uma linha ascendente e constante. Então, se o tempo permitisse, chegaria lá. Assim o foi.
A disputa estadual de 2006 também oferecia alguns poucos elementos para antever o que aconteceria. No caso, a vitória de Cid Gomes no primeiro turno mesmo que o outro lado fosse o governador de plantão, cuja gestão era muito bem avaliada.
Cid ganhou por ter expressado em sua candidatura o desejo de mudança que, mesmo inconsciente, estava na cabeça da maioria do eleitorado cearense. Quem tinha boas pesquisas na mão, anteviu. Quem tinha boa capacidade de ler os fatos, anteviu.
São muitos os elementos e as variáveis que costumam atuar em processos eleitorais. Alguns são muito difíceis de visualizar. Nem todos estão expostos e só vão se configurar após a finalização do cenário.
É por essas e por outras que, a essa altura do campeonato, a pergunta mais desagradável e cretina que se pode fazer a um analista de política é a seguinte: - E aí, como vai ser a eleição? Ora, simplesmente não há resposta a ser dada.
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