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Fábio campos 28/01/2012 - 17h00

O baixo nível das redes sociais

A eleição de Barack Obama em 2008 estabeleceu o primeiro marco de importância das redes sociais em campanhas políticas. Desde então, criou-se a expectativa de que a Internet teria importância decisiva nas disputas políticas de todo o mundo. Será?

Um recente (novembro de 2011) levantamento da agência de publicidade F/Nazca, com o apoio do Datafolha, concluiu que


47% dos brasileiros acima de 16 anos - portanto, em idade de votar - acessam a Internet.


Trocando em miúdos, temos uma imensa e influente massa de conectados com título de eleitor e dispostos a influir no processo político. A maior parte dos internautas compõe a faixa etária entre 16 e 24 anos. consequentemente, os jovens formam a maioria que povoa as redes sociais.


Mas, e a política real fora do mundo virtual está vendo a internet? Nas eleições brasileiras de 2010, as redes sociais tiveram importância insignificante. Efetivamente, as coisas não passaram pelo mundo virtual. 2012 será diferente?


É evidente que a cada disputa aumente o grau de influência das redes sociais no processo político. Porém, há uma questão: essa influência será positiva ou negativa?


Para a política, as redes sociais ainda são terreno minado. Hoje, as estruturas de campanha se preparam muito mais para criar vacinas de proteção dos seus candidatos majoritários do que para promover candidaturas.


Sim, vacinas. As redes são o campo fértil onde proliferam mentiras, aleivosias, maldades, falsificações da realidade. Muitos se escondem atrás do anonimato ou de personagens fictícios para criar fraudes. É óbvio que os comitês tendem a também atuar como disseminadores de informações falsas.


Então, do ponto de vista do eleitor, o desafio é saber separar o joio do trigo. Separar o discurso do militante interessado em manter seu emprego da manifestação do cidadão sem interesses tão diretos.


O desafio dos eleitores é destinguir a mentira da verdade em uma mídia nova, anarquista e, por isso mesmo, completamente despudorada e praticamente imune aos controles legais.


O ESTADO É DE DIREITO


O Estado de Direito significa que nenhum indivíduo, presidente ou cidadão comum, está acima da lei. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos aos constrangimentos impostos pela mesma.


O conceito de Estado de Direito caracteriza o ideal democrático moderno, mas anda meio esfarrapado no Brasil. É comum vivenciarmos situações onde a lei simplesmente é desrespeitada em nome de poucos, geralmente organizados em grupos de pressão.


A recente greve dos policiais militares do Ceará mandou às favas o Estado de Direito. Ao negociar a não punição dos amotinados, o Governo também atropelou o conceito.


Muitas vezes, a aplicação da lei é relativizada em nome de um ou de outro interesse. Passivamente, assistimos até ao Ministério Público ser conivente ou cúmplice em episódios em que a lei foi flagrantemente desrespeitada.


A relativização da lei põe em risco a democracia. Sem o rigor pleno na aplicação da lei, resta a tirania. Ou como costumava dizer o sábio Rui Barbosa: “Fora da lei, não há salvação”.

 

A “CETUR” VEM AÍ


O Governo do Ceará vai criar uma estatal para gerir todos os equipamentos turísticos do Estado. A, digamos, “Cetur” será vinculada à Secretaria de Turismo, mas o cargo é tão poderoso que certamente o governador de plantão não abrirá mão de indicar os seus dirigentes. Além do cargo de presidente da estatal, haverá duas outras importantes diretorias: a administrativa e a financeira. Pela dimensão que se projeta, talvez se torne mais relevante presidir a estatal do que ser secretário de turismo.

 

SUPERESTATAL


Antigos e novos equipamentos de turismo serão administrados pela “Cetur”. Exemplos: o Acquario Ceará, o Centro de Feiras, os dois novos aeroportos (Jeri e Canoa), além do velho Centro de Convenções e da Emcetur (a estrutura comercial e de entretenimento voltada para o turismo, na antiga cadeia pública, no Centro). Em tempo: a sigla Emcetur significava Empresa Cearense de Turismo. Portanto, na prática, vai ser retomada uma ideia que vigorou no governo Cesar Cals.

 

ESTATIZANTE


Depois da era Tasso, que privatizou algumas empresas do Estado e extinguiu outras, Cid Gomes retomou o gosto pelo empreendedorismo estatal. Além de criar a empresa pública para administrar os nossos maiores equipamentos de turismo, o Governo, quando acha necessário para atrair o investimento, se dispõe a ser sócio capitalista de alguns empreendimentos. Cid Gomes tentou isso com o estaleiro e agora o governador articula participação na empresa laminadora de aços que estuda se instalar no Pecém.

 

SOB CONTROLE


Luizianne Lins (PT) anda com uma pesquisa do Ministério da Saúde debaixo do braço. A pesquisa divide as grandes e médias cidades brasileiras pelo grau de risco em relação a essa peste que assola o País. São eles: “risco de surto” (muito grave), “situação de alerta” e “índice satisfatório”. Na Região Nordeste, Recife e Salvador se encontram em “situação de alerta”, que pressupõe atenção e preparo para acões de emergência. Segundo a pesquisa, Fortaleza está no rol das cidades com “índice satisfatório”. Ou seja, fora do mapa de risco.

 

O ATRASO


Em pleno século 21, na era da Internet, do mundo sem fronteiras, é tema de discussão a concessão de um visto a uma blogueira para entrar no Brasil. Corretamente, o visto foi concedido pelo Brasil. Não se sabe de Cuba deixará Yoani Sánchez visitar nosso País. Que regime é esse que teme a fala de uma blogueira? É incrível como ainda há muitos que cultuam a velha ditadura da família Castro. Sim, felizmente, liberdade é item de primeira necessidade.

 

 

"É evidente que a cada disputa aumente a influência das redes sociais no processo político. Essa influência será positiva ou negativa?"


"A relativização da lei põe em risco a democracia. Sem o rigor pleno na aplicação da lei, resta a tirania."

Fábio Campos fabiocampos@opovo.com.br
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Comentários
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Lauro de Mello Ari 01/02/2012 01:07
Fabio Campos Tua Visiao do direito é velha e caolha. Nao te metes a falar do que nao entendes. Tua visão é muito primária, de Advogado de porta de cadeia.
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