Pelo meu gosto”, “no que depender de mim”. Foram as duas expressões usadas por Cid Gomes (PSB) para reafirmar o seu desejo de manter em Fortaleza a aliança que elegeu Luizianne Lins (PT) em 2008. Não é uma novidade, mas nunca antes o governador foi tão firme nesse propósito. Notem bem. A aliança a qual o governador se refere é a que une PT, PSB, PMDB e PDT na Capital. Isso, sem considerar um conjunto de outras siglas de menor ou sem nenhuma expressão. Mas, o que isso quer dizer? Atentem para a amplitude da aliança. O caminho do PMDB e do PCdoB, por exemplo, não depende de Cid. O máximo que o governador pode fazer é promover um esforço político para que todos continuem juntos. O fará? A questão é a seguinte: quando expressa o desejo de manter a aliança, o governador fala do grupo de partidos que a formam ou se refere apenas à relação do seu PSB com o PT? Bom, nesse ponto, Cid declarou que, por seu gosto, o PSB não lança candidato próprio. Sempre muito cuidadoso com as palavras, Cid Gomes se recusa, com razão, a antecipar uma situação cujo prazo limite é final de junho. O governador também foi cuidadoso em outro ponto ao lembrar que ele comanda o PSB estadual, mas não controla o municipal. É o PSB de Fortaleza quem definirá os rumos da sigla. É óbvio que o governador, e também presidente estadual do partido, tem influência sobre o processo de escolha, mas a condução municipal será determinante. Atentem que o atual comando do PSB de Fortaleza, formado majoritariamente por militantes pré-Cid, rompeu com os irmãos Sérgio e Eliana Novais, mas não rompeu com Luizianne Lins. Até onde se saiba, uma boa relação permanece. O jogo continua intricado. O cenário só não está claro e a aliança só permanece como uma dúvida porque são óbvias as tensões entre o comando da Prefeitura e uma parte do grupo ligado ao governador. Fatos já amplamente noticiados pela imprensa.
Entre mortos e feridos
Em entrevista ao Jogo Político na última segunda-feira, Inácio Arruda (PCdoB) não arredou pé da tese (nacional) do PCdoB de lançá-lo candidato em Fortaleza. O senador fala o tempo todo em retomar a aliança no possível (e provável) segundo turno. Pode ser, mas não sem cacos políticos e pessoais para todos os lados. A disputa em Fortaleza tem um longo histórico. Não é um encontro de freiras a rezar. Costuma ser rebaixada, principalmente no submundo das ações clandestinas com farta distribuição de material e boatos. Além disso, desfeita a aliança no primeiro turno, é muito provável que dois aliados de hoje cheguem ao segundo. No confronto, não há aliança que resista. A não ser que a cara de pau tenha chegado a um ponto tal na política que até os conflitos sejam pura encenação. Mas, não é.À espera do líder
Na TV O POVO, Cid Gomes falou pela primeira vez sobre o motim dos policiais. Deu-se uma autocrítica sobre somente um ponto: a comunicação. O governador não entrou em detalhes, mas disse que não se dirigiu ao distinto público no calor dos acontecimentos por não ter o que dizer à população. Ou o governador está mal assessorado ou não ouviu os assessores que, por ventura, tenham tido a lucidez de sugerir-lhe algo a respeito. Havia sim muito o que dizer à população. Fez-se a pior das escolhas: o absoluto silêncio. Ofereceu-se o vácuo onde as lideranças do movimento ilegal deitaram e rolaram.
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