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fábio campos 14/01/2012 - 14h00

A política é para profissionais

"Quem vai ditar o ritmo e a dinâmica do processo é a continuidade ou o fim da grande aliança que junta o governador e a prefeita."

Quem é a referência de oposição em Fortaleza? Pois é, tal questão permeia toda e qualquer análise acerca da política e da sucessão na Capital cearense.

 

As análises então partem do seguinte pressuposto: não há em Fortaleza uma oposição organizada, coesa e partidária que dignifique o nome.


Não há na cidade uma referência com dimensão pública facilmente identificável pelos eleitores como opositor de Luizianne Lins e da proposta administrativa por ela encabeçada.


Atentem para a lista de candidatos até aqui exposta ao distinto público. O mais conhecido é Heitor Férrer (PDT) o deputado estadual que, como ele mesmo diz, se recusa a ser “deputado municipal” e pouco foca a gestão de Fortaleza. Heitor tem lá suas razões.


Outro político que se coloca como candidato é o tucano Marcos Cals, um sem-mandato com pouca voz para ser ouvido pelas massas e montado em um partido que perde força a cada dia.


No mercado político, fala-se muito na candidatura de oposição do advogado onguista Renato Roseno. Seu maior problema é ser candidato pelo nanico Psol. Na campanha, terá que gastar seus poucos segundos para repertir bordões, embora se trate de um personagem com leitura suficiente para dizer mais.


Quem são os outros? Há um ou outro vereador se colocando como candidato. Aparentemente, políticos de fôlego baixo por não terem partidos e articulação social que lhe permitam algo mais.


Falam no Capitão Wagner, o líder do motim. Mas, pensem bem, há chances para um nome que deixou a população apavorada e a economia da cidade engessada? A tendência é que ele se transforme em um político representante de corporações.


É por essas e por outras que, ao tratar da sucessão em Fortaleza, recaímos no mesmo argumento: quem vai ditar o ritmo e a dinâmica do processo é a continuidade ou o fim da grande aliança que junta o governador e a prefeita.


Portanto, essa história só começa a ser oficialmente escrita após definida essa questão.


O fato é que, até aqui, os dois lados continuam querendo a mesma coisa. Os dois querem manter a aliança, que não passa de um casamento eleitoral. Para isso, aceitam engolir até aversões pessoais.


É, realmente a política é coisa para profissionais.

 

CARICATURA DE POLÍTICA


Por falar em oposição, nunca antes na história desse país tivemos uma tão fraquinha. O petismo conseguiu um feito no nosso Brasil varonil: acabou com a oposição.


Vejam trecho de uma reportagem assinada pelo jornalista Eduardo Bresciani, no O Estado de S.Paulo de sexta-feira passada: “A combinação de maiorias parlamentares, mobilização de tropa de choque e a mão de ferro dos presidentes da Câmara e do Senado esvaziou o poderio de investigação e a capacidade de ferir o Planalto das comissões do Congresso”.


Mais: “...o Congresso parece desaparelhado para fiscalizar os atos do poder Executivo. Principal instrumento de investigação no passado, as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) estão em extinção. Em 2011, mesmo com a queda de sete ministros sob suspeita de corrupção, a oposição não conseguiu apoio para instalar qualquer apuração sobre os casos”.


Percebem? É exatamente a mesma coisa que acontece na relação entre a Prefeitura de Fortaleza e a Câmara Municipal. É exatamente o mesmo na relação entre o Governo do Ceará e a Assembleia Legislativa.


Vejam outra situação: a referência de oposição nacional ao PT é o tucano Aécio Neves. O senador é o opositor que todo governante sonha. Basta dizer que Neves conduz a articulação para que Belo Horizonte permaneça com a aliança (informal e formal) que junta o PSDB, o PT e o PSB.


Como diria a caricatura de Fernando Henrique Cardoso feita pela turma do Casseta, “assim não dá, assim não é possível”.

 

CRONÔMETRO


Na agenda do secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, a visita a três estádios em obras para a Copa do Mundo de 2014: Brasília, Fortaleza (terça, 17) e Salvador. Na tarde da última sexta-feira, Cid Gomes almoçou no Castelão com o secretário Ferruccio Feitosa (Secopa). O governador fez o que mais gosta: visitar obras. Nesse caso, as mais adiantadas entre as 12 sedes. Nas obras do Castelão, há um corajoso relógio marcando o tempo para a entrega final.


AGENDA AMPLIADA


Ferruccio Feitosa pediu à Fifa que a visita de Jerome Valcke a Fortaleza incluísse também as obras do Centro de Feiras. O pedido foi acatado. O Governo espera que a dimensão grandiosa do projeto impressione o dirigente da Fifa. Objetivo: conseguir que o sorteio das chaves da Copa ocorra em Fortaleza. O esperado evento tem transmissão mundial. Valcke também vai participar do ato de assinatura de início das obras de mobilidade urbana sob a responsabilidade da Prefeitura. Valor das obras: R$ 145 milhões.


ÓLEO DIESEL


A prefeita Luizianne Lins (PT) aposta que a exposição massiva de obras durante a propaganda eleitoral na televisão vai ser decisiva para eleger seu sucessor. Quem teve papel fundamental para desencadear a lista (que não é pequena) de projetos que andavam a passos de tartaruga foi o pragmático secretário Geraldo Accioly, dos Projetos Especiais. Accioly é conhecido como trator, mas ele costuma dizer que a prefeita é quem o abastece de combustível.

 

CONTRA O TERROR


Sabiam que o nosso Código de Processo Penal não contempla o crime de terrorismo? A conquista do direito de realizar a Copa de 2014 e as Olimpiadas de 2016 fez com que a comunidade internacional pressionasse para mudar tal situação. É provável que atos de terrorismo e financiamento a organizações terroristas passem a ser considerados crimes no país, com as devidas especificações de penas. 15 juristas estão elaborando um anteprojeto para um novo Código de Processo Penal.

Fábio Campos fabiocampos@opovo.com.br
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