Vigora hoje no Ceará a maior aliança política já vista no Estado desde que o Brasil passou a realizar eleições para os governos estaduais, em 1982. Sabe-se que uma grande aliança é muito boa para vencer eleições, ocupar cargos e garantir a maioria governista na Assembleia Legislativa. Mas também se sabe que, em certos momentos, isso não quer dizer muita coisa.
Tal aliança não se formou somente pelo desejo das siglas envolvidas. As circunstâncias nacionais criaram as condições para ela se estabelecer em cada estado. A diferença é que no Ceará, em um primeiro momento, isso se deu de uma forma que praticamente não sobraram forças políticas capazes de fazer o trabalho de oposição.
Lembrem-se que o primeiro mandato da atual grupo gestor juntava no mesmo bloco pró-Governo gente tão diferente como a prefeita Luizianne Lins e o então senador Tasso Jereissati. O tucano só deixou de compor esse bloco quando o governador praticamente foi obrigado a optar pela candidatura de José Pimentel (PT) na última disputa de senador.
Hoje, há gatos pingados não coesos fazendo oposição ao governador. Um aqui, outro acolá. No entanto, a aliança continua imensa e hegemônica. O problema é que o processo político e social é muito dinâmico. Ao longo do tempo, ao seu modo, as corporações de servidores públicos civis e militares acabaram assumindo esse papel.
Com a oposição política e partidária desmantelada, sem mandatos relevantes, envelhecida e, em boa parte, de baixa credibilidade, o Governo seguiu fazendo ouvidos de mercador a clamores, críticas e denúncias vindas da sociedade ao mesmo tempo em que relegava anseios corporativos a um plano inferior.
É claro que age-se assim pela confiança cega na inchada base política que se deleita com cargos e recursos a gerir. Em paralelo, a cúpula do Governo parece ter caído na velha armadilha das pesquisas de opinião que têm apontado a boa popularidade do Governo. Os que nela caem afastam-se da disputa de posições junto à opinião pública.
As pesquisas de opinião com resultados positivos, a aliança agigantada, a falta de uma oposição consistente gera uma atitude ensimesmada. Toda crítica ou movimento passa a ser caracterizada como uma “minoria” em “busca de privilégios”.
A toada a favor é maior ainda no âmbito do Palácio. Nele, os áulicos se sobressaem. No que é relevante, não há gente disposta a ponderar algo e desentoar os cânticos de louvor. O ar é rarefeito.
SEM SITUAÇÃO
Pelo menos três fontes posicionadas dentro do Palácio Abolição durante o “blecaute” de terça-feira contam que o governador não escondeu o incômodo diante da incapacidade do comando da Polícia Militar e da Segurança Pública de dar respostas aos acontecimentos. Não havia, por exemplo, informações sobre a quantidade de policiais que possivelmente não tenham aderido à paralisação ou a de viaturas que não foram capturadas. “Não havia nem como montar uma sala de situação”, diz a fonte.
POUCAS VOZES
Durante toda a tarde de terça-feira, um grupo de políticos foi ao Palácio da Abolição. Apenas dois ou três tentaram convencer a cúpula do Governo a sair da letargia e montar uma estratégia de comunicação de emergência. A primeira coisa a se fazer seria falar à população, que nem sabia se o governador estava na cidade. Pelo que se viu ao longo daquele dia, a tese não foi acatada. Quanto aos demais presentes, calados estavam, calados permaneceram. Uma fonte conta que, em certos momentos, prevaleciam “longos e solenes minutos de silêncio”.
CIDADE ETERNA
A agência de notícias italiana Ansa informou que apenas nos últimos 12 meses ocorreram 35 latrocínios na capital italiana, numa “verdadeira explosão da criminalidade”. Em Fortaleza, com população similar a Roma, em um mês, mata-se quase cinco vezes mais. O noticiário da Ansa afirma que a “onda” de homicídios na bela capital italiana trouxe de volta o temor de ressurgimento da sanguinária “banda della Magliana”, uma máfia romana que foi desmantelada no começo dos anos 1990, mas perdurou durante 20 anos.
NUNCA ANTES NA…
Vejam o que o ano de 2012 reserva para a o Poder Judiciário brasileiro: no ano do histórico julgamento dos réus do Mensalão, três ministros vão ocupar a presidência do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Primeiro, Cezar Peluso, cujo mandato termina em abril. O cargo então vai para o paraibano, Ayres Brito, que fica até novembro. É o mês em que o ministro completa 70 anos e ganha a aposentadoria compulsória. Na sequência, o ministro Joaquim Barbosa, relator do julgamento, assume a presidência
da Suprema Corte. Será então o primeiro negro na função.
BAÚ DO ESMERINO
O prefeito de Granja, Esmerino Arruda, no alto dos seus 90 anos, lançou o “Show de Prêmios do Vovô”. Os eleitores da cidade recebem gratuitamente um calendário e um cupom numerado para concorrer aos seguintes prêmios: garrotes, bicicletas, televisores, liquidificadores, ventiladores, rádios, redes e relógios. Os sorteios começaram neste sábado (07). Em ano eleitoral, o calendário vem com as fotos de Gony Arruda e da “vovó” Carmen Arruda, antecessora de Esmerino.
RESISTENTE
É cada vez mais forte no PT a percepção de que o secretário municipal Waldemir Catanho não quer assumir o papel de candidato a prefeito de Fortaleza. A resistência em aceitar a empreitada teria até provocado incômodo na relação com a prefeita Luizianne Lins. Em entrevista ao programa Jogo Político (TV O POVO e TV Assembleia), na última segunda-feira, a prefeita declarou que as prévias ou a consulta aos delgados municipais são possibilidades plausíveis. Até o dia 15 deverá surgir o caminho do petismo.
Fábio Campos
fabiocampos@opovo.com.br
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