Mao Tse Tung concebia a política como sendo a guerra sem derramamento de sangue (na verdade, o líder chinês fez muito sangue jorrar por causa dela). Winston Churchill complementou a máxima maoísta: “A política é tão excitante quanto a guerra. Com uma diferença: é mais perigosa”. O líder inglês encarava as duas com a mesma naturalidade.
Quem entra na política sabe que enfrentará uma guerra. Várias guerras. Guerras e guerrilhas cotidianas. A vida pessoal e familiar é jogada para o segundo plano. A família sofre. Muitos não resistem e perecem pelo caminho.
Para muitos outros, a política torna-se um vício difícil de ser largado. Para alguns, uma profissão e o único meio de vida. Os honestos não enriquecem com a política. Os desonestos ficam milionários e seus nomes desgraçados.
Tancredo Neves dizia a que “a política é destino”. Ou seja, não basta o projeto pessoal. É preciso que um conjunto de fatores e variáveis (quase sempre incontroláveis) atue para que o destino carregue o homem ao topo da política.
Mas, antes de tudo, o destino só leva ao epicentro da política aqueles que construíram dentro de si o desejo e a determinação de “querer ser”.
Todas essas questões devem estar passando pela cabeça do petista Waldemir Catanho, o preferido de Luizianne Lins para ser candidato a prefeito de Fortaleza. Hoje, percebe-se que ainda falta em Catanho o fundamental “querer ser”. Isso fica muito claro quando o secretário não desmente o noticiário que o aponta sem apetite para a disputa.
Mas, tal circunstância pode mudar a partir de hoje. Afinal, tanto quanto as pessoas, a política é dinâmica. A prefeita confirmou ontem que vai iniciar pra já uma rodada de conversas decisivas com seu “articulador político”. Ainda sem declarar o desejo de ser ou não ser, Catanho confirma que sentará com a prefeita para a conversa definitiva.
Indo Catanho, restará ao petismo convencer o deputado Artur Bruno a resignar-se, retirar sua postulação e evitar as prévias. Seria ele a única resistência interna a essa escolha.
Bruno tem lá seus motivos. O principal: o cavalo já passou selado na sua frente por pelo menos duas vezes. Agora, tenta se agarrar às crinas. Sinal que o cavalo passa sem selas diante de seu olhar. Se não está selado agora, não estará outra vez, raciocina Bruno. Então, a hora é essa.
Não indo Catanho, sabe-se que haverá ainda mais dificuldades de fechar o acordo interno. Afinal, um segundo nome que não sendo aquele muito próximo à prefeita não terá a mesma fortaleza para enfeixar os apoios e as forças internas em torno de si.
Mas, levemos em conta alguns fatos. Internamente, Luizianne Lins deixará um legado para o PT. Nunca antes na História o partido foi tão unido. Curiosamente, a sua ascensão na política se deu com base muito mais na divergência interna que na convergência. Portanto, até segunda ordem nenhuma hipótese pode ser descartada.
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