2011 merece o delicioso som das rolhas que cedem à pressão das espumantes? Sim, brindemos ao Ceará. O ano foi bom. Vale a comemoração.
No âmbito estadual, há muito mais boas notícias que ruins. As demandas ainda são imensas, é verdade. Há muito o que fazer, mas 2011 concretizou um importante processo que marca a atual gestão: a capacidade de investir.
Hoje, em números absolutos, o Ceará é terceiro do País em investimento público. Se levarmos em conta o tamanho da população, bem menor que as de São Paulo e Rio, o Ceará é o campeão nacional em investimento público.
Investimento público é o dinheiro do contribuinte aplicado em algo que, ao longo do tempo, retornará em benefício social. Percebem a importância? Portanto, desenvolvimento social tem relação direta com a saúde financeira do Estado e sua capacidade de investir.
Duas outras boas notícias ajudaram a fazer de 2011 um ano especial. A primeira: o anúncio da Fifa que colocou Fortaleza em situação privilegiada em relação à Copa das Confederações e Copa do Mundo. Com efeitos mundiais, foi um “boom” na auto estima cearense.
A segunda: a assinatura do contrato bilionário (na casa dos 8 bi de reais) para a construção da usina siderúrgica do Pecém. Melhor: foi um contrato privado. O Estado estava lá apenas como testemunha. Hummm... Será sinais de capitalismo enfim chegando por essas bandas?
O ano foi bom. Poderia ter sido ótimo se os índices de violência entrassem em queda. Pelo contrário. A taxa de homicídios, que é referência internacional para medir o tamanho da violência, atingiu um patamar escandaloso entre nós. Na Capital, atingiu um grau de epidemia. São os estampidos que não queremos. Mas, brindemos ao Ceará.
A Cidade Se Ampliou
E Fortaleza? Sim, o ano também foi bom para a loura desposada do sol. A cidade está se vendo de outra forma. Os tais formadores de opinião parecem estar descobrindo que a urbe não é só a Aldeota, o Meireles e adjacências.
Já afirmei várias vezes que Fortaleza está passando por uma grande reforma urbana. Algo desorganizado, sem planejamento científico, é verdade. Mas, a quantidade de investimentos públicos na Capital certamente é o maior da História. E os impactos serão imensos.
Na área privada, as melhores notícias foram oriundas do setor de serviços. Turismo, principalmente. Hotéis “até a tampa” e um encadeamento econômico que beneficia a todos os setores produtivos. Fortaleza é uma cidade desejada pelos visitantes.
No comércio, depois de anos sem dinamismo, deu-se o “boom” dos shoppings centers, empreendimentos que pedem quase nada ao setor público e oferecem muito à cidade.
O que ainda falta a Fortaleza é o choque de ordem. É a aplicação da lei. Isso certamente virá ao longo do tempo. Trata-se de um clamor. Nesse ponto, já caminhamos com as ações ainda pontuais de despoluição visual.
Falta em Fortaleza um programa cidade limpa amplo e completamente livre de ingerências políticas e livre do pensamento que confunde a questão urbana com um programa para atender “um pai de família”. Mas, brindemos a Fortaleza.
Passaporte
A notícia de que o novo líder norte-coreano, Kim Jong-un, visitou secretamente o Japão na sua infância (pelo que consta, foi curtir as delícias do velho e bom capitalismo), utilizando identidade falsa com um passaporte brasileiro, confirma uma tese: passaportes brasileiros são os mais valorizados no mercado negro. Qualquer povo do mundo se encontra no Brasil. Um brasileiro pode ser ariano, eslavo, oriental, africano... Portanto, o nosso passaporte é alvo preferencial dos descuidistas mundo afora.Tombado
Lembram-se da rede de colégio Evolutivo que decidiu fechar as portas em Fortaleza? Uma das sedes funcionava na Parangaba. No passado, o edifício já foi sede do Colégio Anchieta, de propriedade da Igreja. Hoje, o prédio está fechado e, até onde se saiba, a Igreja não pretende reativá-lo. O fato é que a Prefeitura decidiu desapropriar a área. O objetivo é levar para lá a ampliação do posto de saúde da Parangaba, colocando-o vizinho ao terminal de ônibus. De quebra, começou o processo de tombamento do prédio.Terra dos gigantes
Uma pequena radiografia da Companhia Siderúrgica do Pecém: a CSP é uma joint venture entre a Vale, com 50% de participação, a Dongkuk Steel Mill, que detém 30%, e a Posco, com 20%. A associação é um encontro de grandes players globais. A ex-estatal Vale, líder na mineração, é a segunda maior do Brasil e a 12ª maior empresa do mundo. A Posco é o maior grupo siderúrgico da Coreia e o terceiro do mundo. A empresa é apontada como “pedra fundamental” do desenvolvimento da Coreia, a do sul. A DongKuk também é uma gigante coreana e atua há 57 anos na siderurgia.
O jeito petista
Até que os fatos digam o contrário, a coisa no PT vai funcionar assim: a prefeita Luizianne Lins tem a sua preferência. Vai colocá-la na discussão interna junto com os menos preferidos. Haverá ponderações contra e a favor de um e de outro. Daí, mede-se, mesmo que já se saiba, a correlação de forças internas. Fumaça branca. Será? O deputado federal Artur Bruno, que parece sentir resistências ao seu nome, já disse que vai até o fim. Ou seja, se não for o escolhido via consenso, vai pedir prévias. Seu principal argumento: pesquisas que o apontam como o nome mais viável do PT para disputar a Prefeitura de Fortaleza.
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