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FÁBIO CAMPOS 17/12/2011 - 15h00

A melhor notícia do ano

"Finalmente ultrapassamos a etapa das meras intenções, que tantas vezes nos levaram a lugar nenhum"

“Não é memorando. Não é protocolo de intenções. É um contrato formal entre a CSP e a empresa que vai construir a siderúrgica. Um contrato que, inclusive, prevê multa de 10% no caso extremo de rompimento”, disse-me na tarde de sexta-feira um exultante governador Cid Gomes. “É um fato tão importante que quero colocar (o registro) numa moldura”, disse.

 

Alvíssaras. Sim, finalmente ultrapassamos a etapa das meras intenções que, tantas vezes, nos levaram a lugar nenhum. O contrato é tão grande que a multa equivale a 430 milhões de dólares.


O processo parece ser irreversível. A Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) fechou um dos maiores contratos privados já realizados em toda a história do Brasil. Em dólar, o valor é de 4,35 bilhões. Em Real, quase oito bilhões.


A rigor, as obras já começaram com a terraplanagem. Em janeiro, a Posco Engineering & Construction, empreiteira coreana, começa a mobilizar máquinas, equipamentos e homens em um imenso canteiro de obras.


Mas, o que representa para o Ceará tal investimento há tantos anos perseguido? Os imensos benefícios começam já com a obra. De cara, estima-se que serão gerados 15 mil empregos diretos e 8 mil indiretos somente durante a fase de construção da usina, que vai durar mais de três anos.


Em operação, a CSP vai empregar 14 mil pessoas. A usina será um marco na história econômica do Ceará. Instalada numa área de mil hectares, a operação da CSP, em sua plenitude, vai ampliar o PIB do Ceará em quase 50%.


Siderúrgicas atraem vizinhança. Formam-se polos industriais em sua área de influência. Um polo metal-mecânico é certo. Sabe-se que já se mobilizam interesses para implantar usinas laminadoras. São elas que fazem o trabalho final da cadeia siderúrgica ao transformar placas de aço em chapas de aço.


As lâminas são usadas por montadoras de veículos, indústrias de eletrodomésticos de linha branca, estaleiros e outros. Perceberam o encadeamento empresarial e econômico que inevitavelmente deve surgir?


Até recentemente, o trabalho de atração desses grandes investimentos para o Ceará se confundia com uma luta política. As coisas eram expostas como uma dívida social a ser compensada. A economia não funciona assim. A CSP e, em breve, a refinaria, vão chegar somente porque as circunstâncias econômicas do País, do Nordeste e do Ceará mudaram. O mercado impõe a industrialização.


Em poucos anos, as tradicionais imagens que marcam a história do Ceará não nos representarão mais. Há alguns anos, a terra rachada, o retirante, as crianças esquálidas se tornaram imagens apenas dos livros e da memória dos mais velhos.


O vaqueiro, o jangadeiro, a rendeira representam atividades de um tempo que já se foi. São ícones de uma cultura econômica e social do passado. Nossas crianças não vão estudar apenas os tempos da economia da oiticica, da carnaúba, do caju, da lagosta, do algodão.


Entre o fim do século passado e as duas primeiras décadas do atual, surgiu um Ceará com economia dinâmica e moderna que vai compor as imagens que estarão na cabeça das novas gerações.

 

A pior notícia do ano


A economia caminha a bons passos há pelo menos duas décadas. Porém, a violência cresceu na mesma proporção. São escandalosos os índices de homicídios em Fortaleza. O Mapa da Violência 2011 mostra que a Capital saltou de 604 assassinatos no ano 2000 para 1.125 em 2010. Um crescimento de 86,3% em dez anos. No ano 2000, a proporção era de 28,2 homicídios por 100 mil habitantes. Saltamos para 45,9 em 2010. O Ronda do Quarteirão, implantado em 2007, ainda não conseguiu reduzir as estatísticas de homicídio em Fortaleza. O padrão internacional considerado aceitável pela ONU é um índice inferior a 10 homicídios por cada 100 mil habitantes.

 

Compulsório


Como eu já havia apontado em texto anterior, o Governo estadual mantém uma péssima relação com a Coelce. Para alguns interlocutores, o governador Cid Gomes declarou ser indecorosa a atitude da empresa em relação aos interesses públicos no Ceará. A multinacional de capital italiano e espanhol ficará até 2028 explorando o serviço de energia elétrica no Ceará. No recente prêmio Delmiro Gouveia, a Coelce obteve o prêmio de melhor desempenho financeiro do Ceará. Trata-se da maior empresa do Estado. Não é pra menos. Todo cearense, desde que nasce, vira compulsoriamente cliente da empresa. Não há outros concorrentes no mercado.

 

Guia dos candidatos


Chegou ao Brasil a mais importante publicação internacional sobre estratégia política e campanhas eleitorais. O primeiro número da Campaigns & Elections mostra entrevistas com 11 conhecidos profissionais da comunicação política do Brasil. Entre eles, Chico Santa Rita, Duda Mendonça, Dudu Godoy, Einhart Jácome, João Santana, Luiz González e Nelson Biondi. Além disso, artigos e ensaios. Um deles expõe “os 7 pecados capitais de um candidato”. A versão brasileira da revista norte-americana está disponível na versão online e para dowload (cebrasil.com). Há cearenses à frente da publicação. O editor é o jornalista Leonardo Pinto, ex-O POVO. O economista Antônio Caminha detém os direitos da revista no Brasil.

 

O direito de saber


A partir de maio de 2012, entra em vigor a Lei de Acesso à Informação Pública. A regra modificará radicalmente a prerrogativa dos cidadãos, incluindo os profissionais do jornalismo, de buscarem informações de seu interesse junto aos agentes públicos. A Lei de Acesso à Informação Pública é apontada como uma conquista democrática, a favor da transparência. Sancionada em 18 de novembro pela presidente Dilma Roussef, a lei acabou com o sigilo eterno de documentos oficiais e estabelece que órgãos públicos em tosas as esferas tenham de prestar, em no máximo 30 dias, informações solicitadas por cidadãos sem que eles tenham que justificar o pedido.

 

 

"São escandalosos os índices de homicídios em Fortaleza. O Mapa da Violência 2011 mostra que a Capital saltou de 604 assassinatos para 1.125 em dez anos".


"A partir de 2012entra em vigor a Lei de Acesso à Informação Pública. A regra modificará radicalmente as prerrogativas dos cidadãos"

 

Fábio Campos fabiocampos@opovo.com.br
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Comentários
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espaço do leitor
jorge raim 17/12/2011 17:52
Fábio, o mestre Armando Nogueira ensinou que jornalista não pode ter amigos no poder! Acho que você faltou esta aula. Em breve, a continuar assim, pode pedir para Ele assinar a coluna também. Ele é vaidoso, vai aceitar com certeza!
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