Há tempos, venho afirmando que Fortaleza iniciou o mais vigoroso processo de reforma urbana de toda a sua história. Mesmo que isso tenha ocorrido de forma não planejada, a quantidade e a qualidade dos investimentos a favor da cidade vão mudar para muito melhor o perfil da Capital.
As ações do Transfor, a “Beira-Mar” do Pirambu, a Praia de Iracema, a linha sul do metrô, o VLT, as obras muitas do PAC Copa, a futura Beira-Mar do Fausto Nilo-Muratori, as obras no Morro Santa Terezinha, a reforma consistente da malha viária, o Centro de Feiras, PV moderno, Castelão idem...
Citei apenas projetos já finalizados, ou em andamento ou com o dinheiro “escutando” a conversa. Felizmente, a iniciativa privada se mobiliza, através de PPPs, para atender a uma demanda histórica do Centro: estacionamentos e espaços bem ordenados para comerciantes.
Ontem, Cid Gomes foi à Assembleia Legislativa expor sobre a parte que cabe ao Governo em investimentos na área de mobilidade urbana. Trata-se de um conjunto de projetos que, unidos aos que estão em desenvolvimento pelo município, vai estabelecer uma rede viária como não poderíamos imaginar há poucos anos.
Sim, o VLT removerá milhares de famílias. É um fato. Um fato que precisamos aprender a conviver. Não se implementa uma rede de transportes como a projetada sem mexer com o cotidiano e a cultura social de muitos. Efeitos colaterais inevitáveis, porém amenizados por uma proposta justa. Tudo em nome do interesse maior da cidade.
O VLT cortará duas dezenas de bairros, ligando uma região da cidade à outra. Bairros que não “se falavam”. A Via Expressa, enfim, passará a ser “expressa” com o PAC Copa e seu conjunto de túneis e viadutos já licitados pela Prefeitura.
Tudo integrado aos dois ramais do metrô. Um emaranhado inteligente que se integrará também ao sistema tradicional de ônibus. O governador disse que já há dinheiro (R$ 2 bilhões do PAC da Mobilidade) para iniciar a linha oeste (subterrânea) do metrô. Esta ligará o velho Centro ao Centro de Feiras, passando pela Aldeota, Papicu e Cidade 2000. A linha sul está prestes a entrar em funcionamento.
Enfim, surgirá uma cidade muito mais fluida e moderna. Mais ainda se conseguirmos levar ao distinto público o acesso barato à internet veloz do Cinturão Digital que, se sabe, gera muitos efeitos positivos sobre a mobilidade das pessoas. A “via” da internet elimina milhares de viagens.
Bom, embora boa parte dos projetos já estivesse previsto há alguns anos, os processos só ganharam velocidade após a escolha de Fortaleza para ser uma das sedes da Copa. Então, pode-se dizer que o famoso e propalado “legado” da Copa está garantido.
Sim, a cidade cresceu muito, mas Fortaleza tem uma área territorial pequena. A alta densidade demográfica é um fator positivo. Assim, os investimentos em infraestrutura conseguem chegar às amplas faixas de população sem esforços estratosféricos.
A iniciativa privada, sempre muita atenta à dinâmica urbana, percebe com muita clareza o que está acontecendo. Atentem para o boom de projetos de novos centros comerciais. Alguns deles nascem integrados ao sistema de transportes que está em formação. É o caso de Parangaba, colado ao terminal e às estações de metrô e VLT, uma circunstância usual em grandes cidades da Europa e dos EUA.
São novos pequenos “centros”, que vão estabelecer bairros autônomos do ponto de vista social e econômico. São equipamentos ditos “comunitários” que ajudam a retirar carros das ruas de outros bairros. Portanto, a leitura acerca do Centro histórico precisa considerar esse processo.
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