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Fábio Campos 03/12/2011 - 14h00

No mundo do pragmatismo

Em política, não há amizade. Os que acreditarem nisso estão fadados ao fracasso e às profundas decepções

 

Na política não há amigos, apenas conspiradores que se unem. A frase é do jornalista e escritor norte-americano, Victor Lasky (1918-1990). Autor de best-sellers, Lasky se especializou em levar ao distinto público o seu dom iconoclasta.


Foi ele foi o primeiro jornalista a escrever uma visão crítica do presidente John F. Kennedy. Trata-se de um livro chamado JFK: o homem e o mito, de 1963. Na obra, Larsky mostra que o queridinho do americano médio não passava de um... mito. A análise, por exemplo, da sua medíocre trajetória parlamentar expõe suas fragilidades.


Mas, em política, não há amizade. Os que acreditarem nisso estão fadados ao fracasso e às profundas decepções. Aliança não é amizade, mas sim uma ação estratégica em busca de determinados fins sempre relacionados ao exercício do poder.


No Ceará, poucas alianças foram tão longevas quanto a que uniu Tasso Jereissati a Ciro Gomes. Em certo momento, o segundo pulou fora do barco do primeiro. O fez por motivações bem pragmáticas relacionadas ao poder político familiar.


Motivações que não diziam respeito ao manjado mantra da dupla: “O projeto do Ceará acima de tudo”. Isso, ou suas variações de uma nota só sempre usadas para justiçar algum posicionamento a exemplo do apoio de Tasso a Ciro na disputa presidencial de 2002. Pela ordem natural das coisas, Tasso deveria ter apoiado o tucano Serra.


Agora, na pauta da vez, a aliança entre o PT e a família Ferreira Gomes. Em questão, o caso de Fortaleza. Na última eleição, o governador Cid Gomes teve papel preponderante para reeleger Luizianne Lins ainda no primeiro turno. Agora, Luizianne não é mais candidata, e há gente no PSB trabalhando pelo fim da “amizade”.


Mas, o que determinará o fim ou a continuidade da aliança? Amizade é fator que não conta. Interesses comuns, sim. O prolongamento mútuo do poder é a pedra de toque. A relação será mantida desde que os fatores favoráveis sejam mais relevantes e em maior quantidade que os desfavoráveis.


Na lógica pragmática, parece que os fatores favoráveis se sobressaem. A saber: chances imensas de eleger o escolhido da aliança e manter o atual status quo político, garantia de paz nas duas esferas de poder com casas legislativas sob controle de uma maioria folgada, projeção para manter a hegemonia nas eleições subsequentes, oposição eliminada. Para ficar apenas em alguns.


Mas, como diria Totó - o governador - a política é dinâmica. Não se sabe ao certo o que vem por aí. O laboratório de 2012 quer condicionar suas feitiçarias ao processo de 2014. É aí que a porquinha torce o rabo.


Por fim, outra frase: “Vencer na política não é tudo: é a única coisa”. Foi cunhada por Richard Nixon. O homem não se deu assim tão bem com essa conversa.


MULTI PV

A Prefeitura de Fortaleza está concluindo o processo que levará ao estádio Presidente Vargas uma gestão profissional. A ideia é que o velho novo PV não sirva apenas para jogos de futebol, mas seja também um palco para eventos variados, como está previsto para o novo Castelão. Muito bem localizado, próximo ao Centro e à reitoria da UFC, o estádio ainda sofre com a falta de estacionamentos. A Prefeitura avalia que se tiver uma agenda anual de eventos bem estabelecida a iniciativa privada vai se interessar pelo negócio de estacionamentos no entorno do PV.

 

TRIO TERNURA

O PT continua como o único partido do País com suas instâncias de decisão em constante funcionamento. Mesmo com o pragmatismo que tomou conta da sigla, as coisas ainda precisam passar pelo crivo de diversas forças para que ganhem validade. No Ceará, três lideranças se sobressaem no mundo petista local: o senador José Pimentel, o deputado federal José Nobre Guimarães e a prefeita Luizianne Lins. No âmbito do PT, são líderes com influência nacional. Aqui, para onde forem os três (e se os três forem juntos) todo o resto do partido segue. Portanto, atentem para o que eles dizem sobre sucessão em 2012 e 2014.

COMUNITÁRIOS

O anúncio de vários shoppings em Fortaleza sinaliza um novo processo urbano que se instala na cidade. É uma tendência que começou na década de 80 (com o Iguatemi), ficou congelada e foi retomada agora. No caso, a instalação desses centros de compras modernos e refrigerados (um fator importante aqui) em diversos bairros. É o caso de Parangaba, cujo shopping já está em obras de instalação na área de uma velha fábrica de gesso. Outro: a antiga fábrica de Tecidos São José (1926) vai abrigar o Boulevard Jacareganga – a velha fachada será mantida. A chegada desses centros de compras ditos “comunitários” vai influir nos rumos do Centro.

SOPRA E LIGA

Vejam essa: “A partir de 2012, a França obrigará todos os carros e casas noturnas a terem um bafômetro. A iniciativa faz parte de uma série de medidas que o governo Nicolas Sarkozy vem tomando para conter o número crescente de acidentes de trânsito. Os bafômetros não impedirão que os motoristas dirijam mesmo tendo bebido, mas permitirá que todos saibam se ingeriram mais álcool do que a lei permite”. No Brasil, tramita na Câmara projeto do deputado Paulo Wagner (PV-RN) que obriga as montadoras a incluírem o bafômetro como equipamento obrigatório dos veículos.

CARTÓRIO

O Senado achou por bem colocar na Constituição do Brasil a obrigatoriedade do diploma de jornalista para escrever em jornal. Sendo assim, que tal instalar na Carta Magna a obrigatoriedade do diploma de qualquer coisa para ser senador? A decisão dos senadores cria uma profissão especial. Se isso for adiante, o jornalismo passará a ser a única profissão regulamentada pela Constituição. Notem que a Constituição não fala em diploma nem quando estabelece as exigências para ser ministro do Supremo. A saber: ter mais de 35 e menos de 65 anos, reputação ilibada e notável saber jurídico. Não fala nem sequer em diploma de nível superior.

 

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Alaércio Flor 04/12/2011 13:31
O Brasil é o pais dos diplomas...ou dos doutores.Jornalistas diplomados subentendem que sabem escrever melhor que os não diplomados e isso não é verdade.Doutores em Jornalismo será o título dos novos profissionais quando assinarem suas matérias vão colcar o pomposo título JD com o siginifcado de Jornalista Diplomado...para dizer que há os que não são diplomados. o que faz um jornlista não é um diploma de nivel superior,mas a vocação seja para qualquer profissão humanista que requer cultura e formação academica.
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