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COSMOS 12/08/2012

Passeando por Marte

"O Curiosity, que pousou nesse dia 6 de agosto, custou aos cofres da Nasa cerca de 2,5 bilhões de dólares"
DIVULGAÇÃO
O grande rover Curiosity e os seus pequenos antepassados
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Quando estamos vislumbrando uma noite estrelada e nos deparamos maravilhados com o brilho do planeta Marte, é um tanto quanto estranho pensar que lá, naquele ponto tão distante de nós, existem, neste momento, sondas girando em torno dele e jipes-robôs percorrendo sua superfície e mais carcaças de outras missões antigas. Mas qual o motivo para se estudar tanto um outro planeta?

 

Desde os tempos mais remotos, uma das primeiras questões é se estamos sozinhos no Universo. Essa foi a primeira motivação para estudarmos os outros planetas da nossa vizinhança solar, além de que, aprendendo sobre eles, aprendemos também sobre nós mesmos e, assim, podemos detalhar melhor como começou o Sistema Solar e a nossa Terra.


Mas o assunto não é sobre vida em Marte (que já foi assunto da nossa coluna. Veja em www.opovo.com.br/colunas/cosmos) e, sim, sobre a exploração do homem no famoso planeta vermelho desde os projetos mais antigos da Nasa até o recente pouso do rover Curiosity.


1960. Esse foi o ano em que se tentou pela primeira vez enviar uma sonda espacial para o planeta vermelho. Marsnik 1 foi lançado em 10 de outubro pela antiga União Soviética, mas o que era para ser a primeira sonda a viajar para Marte não passou de uma missão sem sucesso. Devido a vibrações de seus estágios, a sonda alcançou apenas uma altura de 120 quilômetros e se desintegrou sobre o céu da Sibéria.


Depois da Marsnik 1, tiveram mais quatro tentativas sem sucesso até que, em 5 de novembro de 1964, a Nasa lança a sonda Mariner 4. Essa sonda foi a responsável por transmitir os primeiros dados mais detalhados do planeta, como a sua composição atmosférica (composta principalmente de gás carbônico) e algumas fotos de crateras. Junto com essas novas informações do planeta vermelho, o mito de que poderíamos habitar Marte caiu, assim como a primeira sonda enviada.


O Programa Espacial Norte Americano Mariner teve, no total, 10 edições, sendo que delas apenas cinco foram à Marte. Outras duas Mariners foram destinadas a estudar Mercúrio e Vênus e três missões não obtiveram sucesso. Entre essas 10 missões Mariner, a Mariner 9 foi o primeiro satélite artificial de Marte e último dessa série destinado a esse planeta, tendo o seu lançamento em 1971.


Junto dessa onda de missões bem sucedidas por parte da Nasa, a URSS lançou, em 1964, a Zond 2, mas, como o sistema de comunicação estava sem funcionamento, a sonda foi até Marte ficando a uma distancia de 1.500 quilômetros, mas nenhum dado foi coletado.


Em meados de 1970, a URSS ainda tentou mais três missões a Marte, todas sem sucesso, até que, em 1971, foi enviada a Mars 2 com sucesso. Foram transmitidos dados da atmosfera e outras características orbitais e planetárias até 1972, porém a parte destinada a fazer pouso em Marte foi destruida com o impacto no solo. O Programa Mars ainda teve mais cinco missões, algumas com intuito de fazer pousos em Marte.


Em 1975, os EUA enviaram as sondas Viking 1 e 2, ambas com partes para orbitar o planetas (orbiter) e para caminhar sobre a superfície do planetar (lander). Esse projeto foi bem sucedido. Os Orbiters geraram mais de 50 mil imagens do planeta e cartografaram cerca de 97% do mesmo. Já os Landers captaram mais de 4.500 imagens e fizeram uma série de experimentos, incluindo alguns para a detecção de vida. O projeto foi 100% desativado em 1982, sete anos após o seu lançamento.


Até o início de 2000, mais de 10 missões foram lançadas, mas nem todas com sucesso. A Mars Global Surveyor e a Mars Pathfinder são exemplos de missões bem sucedidas. Tivemos também outros países entrando na tentativa de visitar o nosso planeta vizinho, como o Japão com o Nozomi e a Agência Espacial Europeia com o Mars Express (orbiter) e o Beagle 2 (lander).


Atualmente, a missão de sucesso é a Mars Explorations Rovers com os seus mini-jipes robotizados (rovers) Spirit e Oportunity. Lançada em 2003, a missão ainda está ativa e ganhou um reforço de um novo rover, o Curiosity, que pousou nesse dia 6 de agosto e faz parte da missão Mars Science Laboratory, que custou aos cofres da Nasa cerca de 2,5 bilhões de dólares.


Muitas pessoas pensam que esse dinheiro foi todo pro espaço, mas isso não é verdade. Boa parte dele foi gasta na criação de tecnologias novas que, no futuro, vão facilitar, e muito, a nossa vida. Agora podemos olhar para Marte e saber que aquele planeta já foi visitado por nós varias vezes de forma indireta e hoje, enquanto você lê essa coluna, temos jipezinhos estudando com minúcias esse planeta.


Victor Alves Alencar

estuda astronomia desde os 9 anos de idade e hoje é estudante de Física pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É colaborador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) 

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