A menina ficava com medo quando a moça entrava em casa dizendo palavras e sons desconexos. Vinha com os cabelos estorricados pelo sol, pés descalços. Ia da porta da frente até a cozinha como num raio. Só a mãe tinha coragem de falar com a moça. Oferecia um café, um prato de comida. Às vezes, a moça ficava dias sem colocar nada de comida na boca. A água, bebia nos córregos e cacimbas que encontrava à beira da estrada. Nessas ocasiões, pegava o prato, dispensava a colher e devorava os alimentos quase sem mastigar. Era sempre assim na lua cheia. Quando o juízo deixava de existir, corria pelas estradas.
Em dias de lucidez, a moça também aparecia por lá. Nesses dias, contavam da vergonha que passavam pelas veredas nos dias em que a cabeça fraquejava. Lembrava com lágrimas daquela vez em que vinha pela estrada falando sozinha e foi levada para os matos e obrigada a fazer coisa que não queria. Contava que em dias bons, ela e a irmã tinham vergonha de aparecer na cidade. Lembrava dos meninos que corriam atrás dela, pela rua, chamando de apelido e até jogando pedras. Ela corria atrás deles sem nunca alcançar. As pernas doíam, daí se achegava debaixo de alguma sombra e começava a chorar. Virara uma criança. ”Vão embora, cão do inverno”, bodejava. Até que uma alma caridosa via o sofrimento e espantava os garotos.
Foi assim até que o filho do comerciante formado médico veio visitar o pai e, por acaso, viu a moça sendo atacada pela meninada. Achou um absurdo. Como podia uma pessoa ser tratada daquele jeito. Chamou par si a responsabilidade. Foi na casa das moças. Reuniu a família e ensinou como deveriam proceder. O remédio jamais poderia deixar de ser tomado. A partir dali, a moça conseguiu ter uma vida menos atribulada e desfrutar de coisas simples, como ir à feira, sem que uma récua de meninos começasse a correr atrás dela.
VARJOTA
VEGETAÇÃO COBRE PARTE DA ÁGUA DO AÇUDE ARARAS
QUITERIANÓPOLIS
NOVO CIDADÃO QUITERIANOPOLENSE
A sessão solene será realizada, amanhã, às 20 horas, na Escola estadual Maria José Coutinho, para conceder o título de cidadão quiterianopolense ao
deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB). A honraria é uma iniciativa da vereadora Terezinha Pereira de Lacerda, presidente da Câmara
QUIXERAMOBIM
FESTIVAL DO LEITE E O QUEIJO GIGANTE
O Festival do Leite de Quixeramobim termina hoje na praça da Matriz promete movimentar R$ 200 mil em negócios. A atração maior será o queijo de mil quilos, que é produzido com a doação de leite de produtores da região. pelo Sebrae Ceará, em parceria com a Prefeitura de Quixeramobim, Governo federal, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, empresários e produtores locaisQUIXADÁ
DIFÍCIL ESTACIONAR
Estacionar nas ruas do Centro de Quixadá tornou-se tarefa difícil. O Departamento Municipal de Trânsito, há cerca de quatro anos, tentou implantar a zona azul na região. O projeto não foi à frente por causa das queixas dos motoristas e, principalmente, dos proprietários de comércio que acharam a medida antipática. Agora, remodelado, o projeto deve voltar.
EM
ALTA
ARTISTAS QUIXADAENSES que vão participar de festival na China. Os músicos Paulo Queiroz, Helder Menezes e o professor de música Rogério Jales representarão o Brasil no Festival Internacional de Música
EM
BAIXA
MORTES DE JOVENS em acidentes de moto nas estradas do Interior. É uma questão de saúde pública.
Tânia Alves
taniaalves@opovo.com.br
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