A água do pote que a menina levava na cabeça molhava as vestes e deixava transparente a parte de cima da blusa. O pescoço já não doía mais. Desde criança, ajudava a mãe na lida. No começo, conduzia um baldinho. Queria imitar a mulher que andava com elegância, conversava, atravessava a cerca de arame pelo passador e quase não segurava mais a vasilha. Era puro equilíbrio.
Com o tempo, a menina aprendeu a carregar o recipiente do mesmo jeito. Na adolescência, iam ela e a irmã buscar água. As duas eram responsáveis por encher os potes de beber, que ficaram no corredor da casa de taipa e os de cozinhar. Trabalho diário e cansativo.
Na cacimba, encontrava os meninos da vizinha. Numa casa só de homens, a tarefa era deles. Ficava envergonhada quando os via no meio do caminho com a blusa molhada. Mas não tinha escolha. Era fazer de conta que eles nem olhavam. Ademais, quando criança, estava acostumada a tomar banho de chuva com os garotos, correndo pelo terreiro, buscando as bicas da casa deles onde a água jorrava com maior abundância.
Foi num dia da semana que receberam a proposta de encher também os potes da casa deles. Ofereceram como pagamento uma rapadura. A menina pensou. Naquele dia em casa, a mãe só tinha colocado feijão e arroz na panela. A rapadura poderia ser raspada e colocada junto à comida. Convenceu a irmã. Aceitaram a proposta. Fizeram mais viagens para a cacimba do que de costume. O dobro. Mas cumpriram o acordo, enquanto os meninos ficavam brincando no alpendre. A rapadura foi a única mistura do almoço para alegria da mãe e do irmão mais novo.
A situação se repetiu por várias vezes. Quando havia necessidade, as meninas enchiam os potes da vizinha por ninharias.
Foi assim até que elas receberam em casa a visita do irmão, que cedo arribara para São Paulo. Trouxe a mulher e filhas. Viu a situação em casa. Decidiu levar todo mundo para a cidade grande. Primeiro, a menina mais velha. Depois, a outra e todos da família. Não desejam mais voltar. Casaram, têm filhos e se espalharam. Quando se encontram na casa da mãe, ainda lembram do tempo em que ganharam uma rapadura para encher os potes dos vizinhos. Riem de como eram bestas. A menina que antes tinha vergonha da blusa molhada sempre brinca: “Eu agora só quero saber de shopping”.
CRATEÚS
DESCUIDO COM A HISTÓRIA
Em Crateús, a 354 quilômetros de Fortaleza, o monumento que simboliza a passagem da Coluna Prestes pela cidade, em 1926, não possui qualquer placa de informação sobre aquele que é um dos principais marcos históricos da cidade. O monumento é praticamente ignorado pelos moradores, embora fique ao lado da praça da Estação, um dos cartões-postais do município.IBARETAMA
FALTA TELEFONE PÚBLICO
Ligar de telefone público de Ibaretama, a 148 quilômetros de Fortaleza, está cada vez mais difícil. Quase todos os aparelhos estão com defeito. E em apenas lugares mais elevados pode-se obter o sinal de operadores de telefonia celular. Segundo Francisco Sales, morador do distrito de Pirangí, há anos que não existe manutenção nos telefones públicos rurais. Às vezes é preciso andar dezenas de quilômetros para efetuar uma ligação telefônica. “A tão sonhada cobertura das operadoras de celular para Ibaretama ainda é muito precária e não temos ideia de quando irá melhorar”, afirmou Sales.LAVRAS DA MANGABEIRA
ESCOLA COMEMORA 36 ANOS
A Escola de Ensino Fundamental e Médio Alda Férrer Augusto Dutra, de Lavras da Mangabeira, a 417 quilômetros de Fortaleza, comemora 36 anos de fundação no próximo dia 27 de abril. Na programação, atividades artísticas, disputas esportivas, desfile e celebração de missa de ação de graças.
PACATUBA
A TRADIÇÃO DA PAIXÃO DE CRISTO
O espetáculo A Paixão de Cristo de Pacatuba será apresentada, às 19 horas dos dias 21 e 22. A peça começou a ser encenada em 1974, quando 12 pessoas acompanhavam o vigário local, padre Edílson, na Via Sacra. Hoje, o espetáculo é um dos mais conhecidos no Ceará. O apoio é da Prefeitura, com recursos do Ponto de Cultura.
QUIXADÁ
AÇÃO CONTRA A DENGUE
A Prefeitura de Quixadá iniciou, esta semana, ação que visa conscientizar sobre a importância de reduzir a proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Estão previstas ações como capinação, recolhimento de entulhos e lixo. Será realizada ainda entrega de panfletos, carro de som e avisos nas emissoras de rádio. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, Quixadá é uma das cidades cearenses que mais registrou casos de dengue este ano.
Tânia Alves
taniaalves@opovo.com.br
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