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Ceará 15/04/2011 - 01h30

A menina, o pote e a rapadura

Foto: Rafael Cavalcante

A água do pote que a menina levava na cabeça molhava as vestes e deixava transparente a parte de cima da blusa. O pescoço já não doía mais. Desde criança, ajudava a mãe na lida. No começo, conduzia um baldinho. Queria imitar a mulher que andava com elegância, conversava, atravessava a cerca de arame pelo passador e quase não segurava mais a vasilha. Era puro equilíbrio.

 

Com o tempo, a menina aprendeu a carregar o recipiente do mesmo jeito. Na adolescência, iam ela e a irmã buscar água. As duas eram responsáveis por encher os potes de beber, que ficaram no corredor da casa de taipa e os de cozinhar. Trabalho diário e cansativo.


Na cacimba, encontrava os meninos da vizinha. Numa casa só de homens, a tarefa era deles. Ficava envergonhada quando os via no meio do caminho com a blusa molhada. Mas não tinha escolha. Era fazer de conta que eles nem olhavam. Ademais, quando criança, estava acostumada a tomar banho de chuva com os garotos, correndo pelo terreiro, buscando as bicas da casa deles onde a água jorrava com maior abundância.


Foi num dia da semana que receberam a proposta de encher também os potes da casa deles. Ofereceram como pagamento uma rapadura. A menina pensou. Naquele dia em casa, a mãe só tinha colocado feijão e arroz na panela. A rapadura poderia ser raspada e colocada junto à comida. Convenceu a irmã. Aceitaram a proposta. Fizeram mais viagens para a cacimba do que de costume. O dobro. Mas cumpriram o acordo, enquanto os meninos ficavam brincando no alpendre. A rapadura foi a única mistura do almoço para alegria da mãe e do irmão mais novo.


A situação se repetiu por várias vezes. Quando havia necessidade, as meninas enchiam os potes da vizinha por ninharias.


Foi assim até que elas receberam em casa a visita do irmão, que cedo arribara para São Paulo. Trouxe a mulher e filhas. Viu a situação em casa. Decidiu levar todo mundo para a cidade grande. Primeiro, a menina mais velha. Depois, a outra e todos da família. Não desejam mais voltar. Casaram, têm filhos e se espalharam. Quando se encontram na casa da mãe, ainda lembram do tempo em que ganharam uma rapadura para encher os potes dos vizinhos. Riem de como eram bestas. A menina que antes tinha vergonha da blusa molhada sempre brinca: “Eu agora só quero saber de shopping”.


CRATEÚS


DESCUIDO COM A HISTÓRIA

Em Crateús, a 354 quilômetros de Fortaleza, o monumento que simboliza a passagem da Coluna Prestes pela cidade, em 1926, não possui qualquer placa de informação sobre aquele que é um dos principais marcos históricos da cidade. O monumento é praticamente ignorado pelos moradores, embora fique ao lado da praça da Estação, um dos cartões-postais do município.

IBARETAMA

 

FALTA TELEFONE PÚBLICO

Ligar de telefone público de Ibaretama, a 148 quilômetros de Fortaleza, está cada vez mais difícil. Quase todos os aparelhos estão com defeito. E em apenas lugares mais elevados pode-se obter o sinal de operadores de telefonia celular. Segundo Francisco Sales, morador do distrito de Pirangí, há anos que não existe manutenção nos telefones públicos rurais. Às vezes é preciso andar dezenas de quilômetros para efetuar uma ligação telefônica. “A tão sonhada cobertura das operadoras de celular para Ibaretama ainda é muito precária e não temos ideia de quando irá melhorar”, afirmou Sales.

LAVRAS DA MANGABEIRA


ESCOLA COMEMORA 36 ANOS

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Alda Férrer Augusto Dutra, de Lavras da Mangabeira, a 417 quilômetros de Fortaleza, comemora 36 anos de fundação no próximo dia 27 de abril. Na programação, atividades artísticas, disputas esportivas, desfile e celebração de missa de ação de graças.

 

PACATUBA


A TRADIÇÃO DA PAIXÃO DE CRISTO

O espetáculo A Paixão de Cristo de Pacatuba será apresentada, às 19 horas dos dias 21 e 22. A peça começou a ser encenada em 1974, quando 12 pessoas acompanhavam o vigário local, padre Edílson, na Via Sacra. Hoje, o espetáculo é um dos mais conhecidos no Ceará. O apoio é da Prefeitura, com recursos do Ponto de Cultura.

 

QUIXADÁ


AÇÃO CONTRA A DENGUE

A Prefeitura de Quixadá iniciou, esta semana, ação que visa conscientizar sobre a importância de reduzir a proliferação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Estão previstas ações como capinação, recolhimento de entulhos e lixo. Será realizada ainda entrega de panfletos, carro de som e avisos nas emissoras de rádio. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, Quixadá é uma das cidades cearenses que mais registrou casos de dengue este ano.

EM
ALTA


HOSPITAL
Regional do Sertão Central, que está sendo disputado por vários municípios.

EM BAIXA

DENGUE
que chega se instala e mata. Enquanto cada um deixar de fazer a sua parte, vai continuar assim.

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