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Bric-à-Brac 03/12/2011 - 14h00

Cara de pobre (1)

IGOR DE MELO
Ítalo & Renno estão entre as trações da terceira edição do III Quiarte


Não julgar as pessoas pela aparência é o que recomenda o bom senso, a boa educação, é o que está implícito nos princípios cristãos. Mas não é isso o praticado no cotidiano, em várias circunstâncias e por muita ‘gente boa’ . Semana passada duas pessoas que conheço bem, foram vítimas do estilo que escolhem para se vestir e se comportar. Optam pelo conforto e pela simplicidade, evitando servir de cabide de grifes de roupas e joias caras. Os dois, porém, podem até dar-se ao luxo de cometer extravagâncias, se quiserem.

 

Cara de pobre (2)

Um deles, o jornalista e professor universitário Ismael Furtado (ele me permitiu divulgar seu nome), numa manhã de sábado, de chinelão, bermuda e camiseta, encaminho-se a uma revendedora de carros considerados de luxo, circulou por quase meia hora no salão olhando os modelos dos veículos, e foi solenemente ignorado. Os vendedores nem desconfiaram que deixavam escorrer pelas garras do preconceito, uma venda certa.O jornalista/professor conta a história rindo, mas imagina como devem se sentir as pessoas realmente “invisíveis” da nossa sociedade.

 

Cara de pobre (3)

A outra ocorrência se deu com uma jovem senhora, sócia de uma empresa de comunicação. Numa loja de roupas, cujos preços não se comparam a lojas de departamento, pretendia adquirir peças para as festas de fim de ano. Não conseguiu. As vendedoras metidas a chic, não perguntaram nem o que ela estava procurando. Deve ser essa minha “cara de pobre”, deduz bem humorada. E a ex-cliente foi embora, passar seu robusto cartão de crédito onde fosse bem recebida.

 

Cara de pobre (4)

Por essa e por outras é que, quando leio notícia sobre golpes que espertalhões aplicam no comércio, nem tenho pena dos ludibriados. Acho é bem feito, pois se deixaram levar pela aparência e pelo “queixo” dos golpistas.

 

Carta da maldição

Uma carta escrita por dona Olga Monte Barroso, ex-primeira dama do Estado, contendo desaforos ao cel. Egmont Bastos Gonçalves, foi parar entre os documentos que agora são utilizados por J. Ciro Saraiva, em seu livro No tempo dos Coronéis. Nessa carta, dona Olga reage à inclusão de seu nome entre as pessoas que faziam contrabando de café no Ceará. O então major Egmont, que era o homem forte do 10º G.O., foi á televisão e leu o texto. Ciro Saraiva recebeu cópia do militar e publica a íntegra do documento, a que chamou, muito apropriadamente, de “carta da maldição”. Esse é apenas um, dos muitos episódios que serão narrados pelo jornalista Ciro Saraiva no livro que, desde já, está deixando muita gente doidinha pra ler.

Me incluo na relação.

 

Para pequenos

As Edições Demócrito Rocha convidam as crianças para o lançamento da coleção Encantado Mundo das Férias, composta por dez volumes, entre eles Uma baleia muito esperta, de Aline Bussons com ilustrações de Guabiras, e O mistério da professora Julieta, de Socorro Acioli, com ilustrações de Suzana Paz. Será sábado (10), às 17 horas, na livraria Cultura e vai ter um musical produzido pelo cantor e ator Marcelino Câmara.

Ontem & hoje

A fábrica de tecidos São José, que foi um marco de desenvolvimento de Jacarecanga, será preservada pelo Grupo Philomeno Gomes, que vai construir no local, o primeiro shopping center da região, o Mais Shopping Boulevard Jacarecanga. A história do bairro – morada dos ricos da cidade e polo fabril antigamente - será contada em memorial a ser instalado no shopping. A imprensa vai saber detalhes do lançamento, amanhã, às 19 horas, no L’ Ô Restaurante.

 

MIUDEZAS

 

Novo CD do compositor Rui Farias, Casa Aberta, faz um passeio pelos vários estilos da MPB. Suas composições estão nas vozes de Mel Matos, Edinho Villas Boas, Rodger Rogério,Téti e Eudes Fraga. Já está à venda e vale à pena ouvir.

 

Um bom domingo para o jornalista/publicitário/apresentador e “frequentador” da coluna, Nazareno Albuquerque.

 

Nelma Penteado, conhecida como a “diva da auto-estima”, fará o workshop AleGGria sábado (10), das 17h às 21h30 no hotel Oásis Atlântico. Ela promete um encontro com música, interatividade e uma pitada de sensualidade. Os ingressos estão à venda nas Lojas Diuncorpo.

 

O grupo Natal de Amor, que todo ano visita hospitais no dia 25 de dezembro, está precisando de doações. Recebe sabonetes, creme dental, aparelho de barbear, escova de dente, brinquedos (bonecas e carrinhos), fraldas tamanho “P” e camisetinhas de recém-nascido. Você que pode doar, ligue para 9997 5005 (Maria do Carmo) ou 9997 3147 (Silvana).

 

Ítalo e Renno, Tribo de Jah e Chico Pessoa são as atrações confirmadas para a III Quiarte - Mostra de Arte e Cultura do Sertão Central, que acontecerá de 15 a 18 em Quixeramobim. As apresentações musicais se unem à dança, às artes plásticas e aos folguedos tradicionais. O evento é realizado pela Fundação Canudos.

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Roberta 01/01/2012 20:40
Bom, achei legal os comentários sobre "Cara de pobre", concordo que realmente o fortalezese é muito metido a besta e interpreta as pessoas pela aparência. Creio que isso se deva a imaturidade dos pensamentos sociais e pela educação instalada nas famílias conservadoras e preconceituosas de nosso querido município. Escuto muito pessoas de classe média reclamando dos pobres: que eles reclamam, que eles falam muito e não dizem nada, que são uma praga na sociedade. Poxa, todo ser humano tem direito a saúde, educação, e atenção do governo, e esse é uma lei antiga, escrita por idealizadores... Infelizmente, os fortalezenses estão mais preocupados com a roupa que vão comprar no shopping para ir ver Ivete SAngalo no aterro da PI ao invés de se preocupar com os questionamentos que realmente são importantes: Quem somos nós? Quem são os jovens que nós estamos formando nas escolas e universidades? Quais serão as consequências de viver em uma sociedade hipócrita e burguesa de orgulho? Quando iremos investir na desmistificação das diferenças? Quando todos irão entender que as diferenças são necessárias e que ninguém precisa ser igual em esteriótipo para ser aceito em uma sociedade que quer ser e se diz democrata? Penso e reflito sobre as moras e cargos que iremos enfrentar para mudar os fortalezenses... Talvez a arte, talvez a cultura, talvez a educação... Sendo que só o tempo irá dizer. Ah, e também achei uma viagem ler uma coluna que mistura tudo e ainda confundi os temas...
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