CEARÁ E FORTALEZA DEVIAM TER SAÍDO DE CAMPO VAIADOS. FOI O QUE MERECERAM
... PARA o torcedor não pode haver pior resultado do que um zero a zero. Principalmente em se tratando de decisão, mesmo que tenha sido a primeira. Falta mais uma e última, que decidirá o título.
... PRECISO que se diga, e será. Para um clássico da tradição de Ceará e Fortaleza, uma pelada monumental. Um purgante, um laxante. Daqueles de qualquer um fazer careta. Medo de um lado, medo do outro, medo no sentido de vencer, de algum vacilo imperdoável, tudo isso fez com que tricolores e alvinegros jogassem com um freio de mão permanente. A ordem que parecia vir dos dois treinadores era a de que atacar seria pecado mortal. E ai de quem ousasse.
... AQUI e ali, alguma jogada isolada. Primeiro tempo, então, uma droga. O Ceará resolveu explorar a velocidade do lateral Apodi. Parecia samba de uma nota só. Lançava em profundidade pra ele correr, correr e tentar fazer alguma coisa. Bem que ele correu, que é seu forte. Até se exaurir por completo e botar a língua de fora. Enfim, o Papa-léguas não é de ferro.
... PARA se ter uma simples ideia, primeiro tempo, um chute a queima roupa do Jaílson que o Fernando Henrique defendeu no susto. Uma cabeçada do Felipe Azevedo, o goleiro João Carlos mandou a escanteio. E só.
... ANTES que esqueça. Teve outra novidade. Qual? Expulsão de PC Gusmão do banco de reserva depois de reclamar aos gritos contra a marcação do árbitro Héber Roberto Lopes. Foram cinco minutos de sai-não-sai até que PC resolveu sair sem que a Polícia precisasse intervir. Incrível. Sabe quanto tempo foi descontado de todo esse arranca-rabo? Dois minutos. Final do jogo, PC escrachou o árbitro numa ladainha sem fim. Choradeira também tem limite. Sobre seu time, nada.
... QUANDO se esperava algo melhor no segundo tempo, que os dois rivais mostrassem a cara, e o que foram fazer em campo, o ritual foi o mesmo. Como torcedor sofre! Fica empurrando com seus gritos de incentivo das arquibancadas pra dentro de campo, contando que os jogadores se tocassem, de que deviam jogar mais, se expor mais, correr mais e, não ficarem naquele lenga-lenga irritante. Jogo ruim todos sabem, o tempo demora a passar.
... PRA não dizer que não aconteceu nada, o Ceará só conseguiu mostrar presença em campo quando Romário entrou no lugar de Felipe Azevedo, que não fez nada, Misael substituiu um cansado Mota, que também não jogou nada, e Reina no posto de Rogerinho, outra figura decorativa.
... PODEM crer. É verdade. Nos poucos minutos, algo em torno de dez a 15, em que estiveram em campo, Romário e Misael fizeram muito mais que a dupla Felipe Azevedo e Mota, que ganham o triplo do que eles no contra-cheque do fim de mês. Lance mais emocionante e único do jogo, Misael ganhou de Cleber Carioca na corrida, chutou forte, João Carlos não conseguiu deter, a trave salvou. Um outro. Cabeçada de Romário que passou raspando.
... FORTALEZA como opção de ataque somente Cléo e Jaílson. Duas figuras apagadas, pois muito bem marcadas, pouco apareceram. A preocupação dos dois treinadores era a de que os elementos chaves não andassem em campo. Essa missão foi cumprida à risca.
... CLÁSSICO em que o medo prevaleceu todo o tempo, saiu perdendo o torcedor. Que esperava ver uma coisa e acabou não vendo foi nada. Pra jogarem aquele futebol chinfrim, de quinta categoria, preferível mil vezes que alvinegros e tricolores sequer entrassem em campo. Algum destaque? Sim. Esley, que jogou um partidaço pelo Fortaleza, e o garoto Potiguar, que não errou um lance. Se o clássico foi 0 a 0, fica combinado assim. Nota zero para Fortaleza e nota zero para o Ceará, que, pelo futebol apresentado mereciam ter saído vaiados de campo. Respeito é bom e o torcedor gosta.
EM ALTA
ESLEY E POTIGUAR
EM BAIXA
MEDO
Foi o que prevaleceu no primeiro jogo da final do Cearense. Fortaleza e Ceará mereciam ser vaiados
CLÁSSICO-REI
Destaques da partida
Esley, do Fortaleza, jogou um partidaço. O garoto Potiguar, também se destacou. Não errou um lance para o Ceará
Alan Neto
alanneto@opovo.com.br
Veja o jornal de hoje e os cadernos
Novo
Comes & Bebes
O melhor da gastronomia, toda sexta-feira, no O POVO
Newsletter
Copyright © 1995-2013