VITÓRIA (2X1) DO FORTALEZA. PROVOU QUE O INESPERADO É O PIOR DOS INIMIGOS
... BORDÃO das antigas, por vezes cafona, porém válido até os dias de hoje. Vale repetir. Jogo só termina quando o árbitro acaba. Nada mais óbvio, nada mais redundante, nada mais verdadeiro. Quem há de contestar? Ninguém.
... BASTA pegar o exemplo do clássico de ontem, Fortaleza 2 x 1 Ceará, emocionante, de prender a respiração do torcedor até o apito final, de o coração ficar preso na garganta ao lado do grito de gol. Um clássico tão bom, digno da tradição e da rivalidade histórica de tricolores e alvinegros.
... RETOMANDO o fio da meada. Tudo parecia desenhar uma vitória do Ceará, em vantagem no marcador até 43 minutos do segundo tempo. Torcida alvinegra com razão já fazia a festa. A do tricolor mordia os lábios, esfregava as mãos, não tirava o olho de dentro de campo na esperança de que acontecesse o que parecia ser impossível em apenas 4 minguados minutos.
... POIS não é que aconteceu? Bola alçada na área, o zagueiro Ciro Sena saltou mais do que todos os defensores do Ceará, três metros de Fernando Henrique, cabeceou firme, forte, sem apelação. Um golaço sem dúvida. E o que fez o paredão FH pra evitar? Apenas acompanhou o lance. Ali, dentro da área, é território do goleiro. Falha dele, então? De todos, inclusive.
... A PARTIR daí o sangue esquentou, a torcida tricolor animou-se, transformou-se em segundo jogador em campo, empurrando o time para uma virada mesmo faltando tão pouco tempo. Nos acréscimos veio o inesperado. Falta de fora da área. O ótimo lateral Kauê, que tem uma bomba nos pés, acertou um míssil que Fernando Henrique nem viu por onde passou. Nenhum goleiro do mundo conseguiria pegar.
... ESTAVA decretada a vitória sensacional do Fortaleza, que, de tanto acreditar num vira-vira, multiplicou força, determinação, garra e valentia em apenas 4 minutos, o que é pra levar qualquer um ao desespero. O Ceará que o diga, com a vitória na mão.
... FICOU a grande lição, tantas vezes repetida, porém nunca aprendida. Qual? De que num clássico da envergadura dos dois maiores rivais do futebol cearense, tudo é possível acontecer. O futebol é maravilhoso precisamente por causa dessas coisas. Ensina também que o inesperado é o pior de todos os inimigos. Sempre à espreita do bote fatal. Em clássico, então, tem um valor multiplicado por mil.
... GRANDE jogo, nem se discute. Ceará foi muito bom no primeiro tempo, perdendo-se no segundo, com três mudanças totalmente descabidas. No segundo tempo, o Fortaleza conseguiu ser superior. No duelo, ali na borda do campo, Nedo Xavier mostrou a que veio, dando a Dimas Filgueiras a lição de que seu olho clínico é bem mais apurado. Quando mexeu no time, acertou em todas. Exatamente o oposto de Filgueiras.
... MAIOR figura do clássico, este baixinho paraibano, rápido feito um raio, de nome Cléo. Quando partia em velocidade, driblando quem encontrasse pela frente, provocava pavor aos adversários. Ninguém conseguiu segurá-lo. Dimas preocupou-se com Geraldo, mas Cléo foi o dono do jogo. Clássico bom é precisamente aquele que arrepia do primeiro ao último minuto. Clássico bom, exatamente como aquele de ontem. Tão emocionante quanto espetacular.
TABELINHA...
APODI provou por que razão foi a melhor contratação de tantas que o Ceará fez, incluindo Mota, cuja atuação foi apagadíssima /// PERFEITO o esquema de segurança, que até helicóptero teve /// NÃO fora árbitro Fifa, muito bom, seus auxiliares também, e no lugar deles alguém da terra, aquele clássico não teria terminado na paz, mesmo que aparente. Repetiu-se a lição. Paga-se caro pelo que é bom, principalmente porque eles vão embora de madrugada no primeiro voo.
EM ALTA
CLÉO Maior figura do clássico, este baixinho paraibano, rápido feito um raio. Quando partia, driblava tudo
EM BAIXA
MUDANÇAS Quando fez alterações, Dimas errou todas, ao contrário do técnico do Fortaleza, Nedo Xavier
CONTRATAÇÕES
Apodi na área
Apodi é uma das contratações que mais deram certo no Alvinegro. Jogou muito, mesmo com a derrota
Alan Neto
alanneto@opovo.com.br
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